PicNic… PicMe


Brigadeiro
April 30, 2014, 11:31 pm
Filed under: Doce

brigadeiro de colher

E quando tudo parece perdido, você vai para o conhecido, o certo, o seguro. Você procura a sensação de lar pra te aconchegar.

Quando eu já não sei mais distinguir o que é realidade e o que é loucura eu volto pro mesmo lugar. Eu volto pra Fe.

Ela senta do meu lado e presta tanta atenção em mim que eu até fico meio desconcertada. Fico assim por simplesmente quase sempre achar que não existem mais pessoas que prestem atenção de verdade.

Ela ouve, mas não só as palavras, também ouve o que diz a alma, lê o que os olhos contam e entende o que eu mesma nem sei dizer, ela te absorve.

Aí ela responde.

Ela acha que é um defeito, mas eu discordo completamente. Sinceridade é sua virtude. Em um mundo de falsidade, a verdade é um bálsamo.

Não sei dizer como mas ela pega todo aquele caos e coloca em ordem, mostra o caminho e até mostra que tudo faz sentido, que o errado na verdade é certo e por fim você acredita, acredita que a loucura é só imaginária e que sim, é preciso o ajuste, mas não tem problema, pois ela está lá e sempre estará.

E lar se encontra nos mais diversos lugares.

Brigadeiro tem gosto de dia feliz. Gosto de aniversário, de festa, de férias, gosto de família, de casa, de bagunça e de risada.

Essa nova moda de brigadeiro de colher pra mim é tradição.

Lá em casa a mamãe não tinha paciência de enrolar brigadeiro não, então sempre foi de colher. Ela nos chamava pela janela quando estávamos brincando no térreo durante as férias de verão. Era só subir que ela dizia, tem surpresa na geladeira. E lá estava o prato oval de vidro cor de caramelo, e nós usávamos as colheres com cabo de plástico cor de laranja, nem precisava tirar da geladeira, a colherada era roubada ali mesmo, agachados na frente da porta aberta, com muitos sons de hummm e um grito ao fundo “não pode pegar mais com colher usada!!!!”

Essa receita é da Carla Pernambuco, mas eu comi foi na casa da Raquel, que é a master da família em brigadeiros! Eu adaptei, pra variar..

Ingredientes:

50g de chocolate meio amargo picado

1 lata de leite condensado

1 naco de manteiga

2 col. (sopa) de cacau em pó

1 col. (sopa) de mel

Preparo:

Misturar tudo em uma panela e, em fogo médio, mexer constantemente até engrossar o suficiente para que ao arrastar a colher dê pra ver o fundo da panela.

 

 



Salada de Batata-Doce, quem diria.
April 23, 2014, 7:50 pm
Filed under: Salgado

batata doce

 

Papai me disse, quando estava grávida de (o que parecia ser) uns 15 meses: A única regra pra se criar um filho é dar amor.

Manha. Um tema que tinha pensado pouco até agora.

Descobri que todos acham que tudo que um bebê faz que não se encaixe em nenhuma categoria básica (fome/sono) é manha. E manha não é algo que se deva tolerar. Então se deve deixar chorar, ou ignorar, ou negar até que o filho pare de fazer manha.

Eu, no entanto, já penso que na verdade aquele ser está sofrendo grandes e radicais mudanças físicas e intelectuais a cada segundo e que, no mínimo, isso é cansativo e dolorido. Por isso, pra mim manha faz todo o sentido e eu não deixo pra lá não, eu acolho.

Pra explicar pro marido o que eu queria dizer, dei um exemplo de uma situação em um adulto: Você está com um dorzita de cabeça, assim daquela que não mata, mas também não te deixa em paz. Aí vai pegar uma caneta no escritório e não acha, já fica louco da vida (apesar de ter outras opções de caneta lá, você queria AQUELA, e só Deus sabe o motivo), sai pra procurar na sala a tal caneta já emburrado e passa pela tv que mostra os melhores lances dos jogos de ontem. Nesse momento tudo passa. A dor é esquecida (mas continua lá!), a caneta então, nem se fala, pode até usar batom pra escrever no papel que tá ótimo. Pronto, a dor fez ficar manhoso e por isso ficou irritado com a história da caneta, mas algo o distraiu da dor por um tempo e logo a irritação principal se vai. Manha.

Já se fosse um bebê, e ele não tivesse feito cocô ainda no dia e estivesse brincando no chão e, ao não alcançar um brinquedo especifico, abrisse o berreiro, ahhhh não pode facilitar a vida dele não. Isso é manha.

Bem, é claro que é manha, ele tá incomodado e o limite dele é bem curto. E se nós não conseguimos dizer “ai, estou irritado mas não é com a caneta, é com a dor”, imagine só a criança… E dê graças a Deus que ela consegue se distrair facilmente com outro brinquedo ou com uma voltinha na rua, pois isso significa que é apenas um incomodo e não dor das sérias.

Eu passei por bastante dor e tenho que dizer, eu desejava loucamente que alguém (no caso o próprio marido) me distraísse. Que me contasse uma história, que me desse um tricot na mão. Pra tentar fazer com que ela fosse secundária e não o foco do momento. E definitivamente a última coisa que eu desejaria seria ser deixada com o meu desconforto, sozinha, pra que eu parasse de fazer manha.

Por isso eu acho que se todos tratássemos a manha dos outros (adultos e crianças) com mais amor e carinho, a dor de cada um seria amenizada e teríamos mais sorrisos e menos lágrimas.

….

Tenho que frisar que pra mim, manha é diferente de birra.

Birra pra mim é como, por exemplo, o cachorro que sabe perfeitamente onde deve fazer o seu xixi, na área de serviço, mas por não estar recebendo a devida atenção, vai lá e faz no meio da sala.

Birra se trata de outra maneira, mas não sei como, pois não chegamos lá ainda…

Percebi que as palavras são perigosas.

Eu digo “A” pensando que todos vão ler “A”. Mas descobri que um lê “a”, outo lê “ã”, um terceiro lê “à” e ainda tem o que lê “Z”.

Por isso tenho estado temerosa de escrever meus pensamentos. Pois em palavras, eles se tornam ferramentas que podem ser usadas das mais diversas maneiras.

Espero que todos percebam que eu não entendo nada de nada e que aqui são meus pensamentos e que essa é minha maneira de ver e fazer. Não pretendo ofender ninguém que faça diferente e não tenho o desejo de mudar ninguém.

Esse é o jeito que eu faço, que eu vivo, que eu sinto. Mas até eu posso mudar.

……….

A receita é essa, sa Fer que sempre sabe o que está fazendo, mesmo dizendo o contrário.

Batata-doce, limão, pimenta (usei a tabasco), sal e azeite. Como tudo isso tão simples poderia ficar tão complexo e perfeito? Só Deus sabe..



Bolo de Laranja com Chantilly
April 23, 2014, 3:35 pm
Filed under: Doce

bolo de laranja com chantilly

Como é fácil complicar a vida.

E quando me dou conta, já fiz por tanto tempo que pra achar o fio da meada e descomplicar tudo é um Deus nos acuda só.

Não sei dizer o motivo e nem a vantagem, mas me parece que a humanidade pegou gosto pela coisa e complicar o simples virou regra.

Acho que o simples amedronta. Quanto mais simples menos chance de esconder a verdade, as imperfeições a realidade.

Não é fácil a aceitação. Nem do própria caminho, nem do dos outros.

Quis oferecer um almoço de aniversário. Para aquele que acredito ser o perfeito exemplo da pessoa caridosa.

A caridade bem feita é aquela silenciosa. Que disfarça sua bondade. Melhor, que convence aquele que está recebendo o benefício de que aquilo não é nada, que tudo é simples, que todos merecem.

Assim quem recebe não se sente humilhado e aproveita e aprende a ser humilde como o que oferece.

Eu fui abençoada por ter recebido tanto.

Eu ofereci como agradecimento o simples, um bolo, um abraço e minha eterna gratidão.

Bolo de Laranja com Chantilly de Laranja

(receita do bolo é da Adriana Y. – o chantilly foi invencionite mesmo…)

Bolo:

1 1/4 de xícara de farinha de trigo

1 xícara de açúcar

1/2 xícara de suco natural de laranja

1/2 xícara de óleo

1 ovo

1/2 col. (sopa) de fermento químico

Raspas de 1 laranja

Preparo:

Unte e enfarinhe uma forma de 20cm de diâmetro.

No liquidificador bater todos os ingredientes.

Despejar na forma e levar para assar por cerca de 25 minutos em forno pré-aquecido a 180C.

Deixar esfriar completamente. Desenformar.

 

Chantilly aromatizado de laranja:

Raspas de 01 laranja

1/2  xícara de creme de leite fresco gelado

2 col.(sopa) de açúcar

Preparo:

Misturar as raspas no creme de leite e deixar descansar na geladeira por pelo menos uma hora.

Bater o açúcar com o creme até virar chantilly.

Cobrir o bolo (já frio!!) com o chantilly.



Chocolate quente – Hot Chocolate
March 4, 2014, 8:46 pm
Filed under: Doce

chocolate quente - hot chocolate

E das coisas reconfortantes eu listo:

- risadas entre amigos

- conversas sem medo de falar besteira

- descobrir novas receitas favoritas

- filmes assistidos vezes sem fim

- dançar na sala

Essas são só algumas, pois tenho a sorte de ter muitas coisas gostosas nessa vida.

E esse carnaval foi regado (quem diria) a chocolate quente.

Chocolate quente surpreendente, da sempre perfeita Gourmet :

Ingredientes:

115g de chocolate meio-amargo picado

2 xícaras de leite integral

1/3 de xícara de creme de leite fresco (gelado)

1 col. (sopa) de açúcar

Canela em pó (opcional, não está na receita original)

Preparo:

Bater o creme de leite e o açúcar até formar picos. Reservar.

Derreter o chocolate com o leite.

No fundo da xícara polvilhar a canela (se escolheu usá-la) e derramar o leite sobre ela. Colocar sobre o leite o creme batido e polvilhar canela ou chocolate em pó.

Essa receita é pra dois, assim traz alegria aos pares.



Brownie com cream cheese
February 10, 2014, 10:44 pm
Filed under: Doce

brownie com creamcheese

E eu nem sei o que fazer com o tempo livre.

Você já teve essa sensação?

São tantos pequenos projetos, todos sem importância real. São tantas burocracias na lista de pendências. São tantas horas de sono acumulado. Que eu me pego fazendo coisas sem nexo, como tricotar no calor de 65 graus que anda fazendo ou assar brownies, perfeitos para uma tarde fria e chuvosa.

E o que é mais engraçado é que apesar de desconjuntada, de desordenada e definitivamente instável, estou feliz.

…..

Eu ganhei brownies da T. E dessas mesmas mãos tantos outros carinhos que pontuam minha vida em momentos estratégicos. É essa T que me ajuda a fazer a curva e enxergar o novo horizonte se abrindo na minha vida.

O melhor é que ela é tão boa na manobra que nem sabe que faz isso pra mim. Amor que não se explica, como esse brownie apreciado no alto verão.

….

Pra quem tiver coragem de preparar nessa época do ano, eu sugiro usar a geladeira como aliada para resfriar o danado e então cortar. Pra quem for paciente e for aguardar o inverno chegar, meus parabéns pela virtude de saber esperar.

Quase nada adaptado da receita da Lena Gasparetto com adição da cobertura da dona Martha:

Ingredientes:

Para o Brownie:

100g de manteiga

260g de chocolate meio amargo

1 e 1/2 xícaras de açúcar

3/4 de xícara de chocolate em pó

1 col. (sopa) de farinha de trigo

1 pitada de sal

3 ovos

Para a cobertura de cream cheese:
150 de cream cheese
1/4 de açúcar impalpável
1/2 ovo

Preparo:

Forre com papel manteiga o fundo e as laterais de uma forma redonda de 24cm (o ideal é uma quadrada, mas como eu não tenho…).

Derreta o chocolate com a manteiga. Reserve.

Em uma batedeira, peneire o chocolate em pó e adicionar o açúcar, a farinha e o sal. Adicione os ovos um a um e bata apenas até misturar. Adicione o chocolate derretido e bata apenas até misturar.

Derrame sobre a forma. Reserve.

Para a cobertura, bata na batedeira o cream cheese, o açúcar impalpável e o ovo até ficar homogêneo.

Espalhe a cobertura de cream cheese sobre a mistura de chocolate. Com a ponta de uma faca, faça movimentos para misturar as duas camadas. Não faça muito para não misturar completamente!

Leve ao forno pré-aquecido a 160graus por cerca de 45 minutos.

Retire do forno e deixe esfriar um pouco. Leve para a geladeira para esfriar completamente e então cortar em quadrados.

*Como eu adicionei essa cobertura, o resultado do brownie ficou muito diferente do resultado original (que é maravilhoso!!). Com essa cobertura, o todo fica SUPER úmido e compacto, não se parece nada com um bolo e é quase um doce de tão denso. Só pra avisar…



Bolo de Chocolate com Buttercream e Cobertura de Chocolate
December 20, 2013, 9:51 pm
Filed under: Doce


bolo de chocolate com recheio de buttercream e cobertura de chocolate

Mudou muito sua vida?

Essa é a pergunta mais frequente desde que o baby chegou.

A resposta é bem óbvia. Sim.

Mas as pessoas pensam sempre que estou me referindo às horas picadas de sono. Ao choro. Ás cólicas. Às dúvidas. Ao sexo. Ao trabalho. etc.. Bem, tudo isso definitivamente mudou. Mas o que mudou mesmo, e pra muito melhor, fui eu.

Não estou querendo me gabar não. O negócio aqui é tão enrascado que precisaria de uns 20 filhos pra chegar em algum lugar. Mas, que eu consegui aprimorar alguns itens da minha lista, consegui.

Derrapo e volto aos antigos hábitos com mais frequência do que gostaria. Mas Bento não deixa barato e logo corre pra me por no lugar.

Explico:

Se eu quero um bebê contente preciso estar descansada, pra conseguir descansar precisa estar alimentada, pra dar certo todo esse ciclo sem fim ele precisa de ritmo.

Eu não tinha hora pra almoçar, muitas vezes invertia a ordem das refeições. Muitas vezes descansava menos do que meu corpo pedia, pra cumprir todos os itens da minha lista infinita de afazeres. Eu não tomava jeito e não conseguia ter ritmo, nem disciplina, nem nada.

Isso mudou.

Pra que ele tenha tudo isso eu tenho que fazer comigo primeiro.

Pra ter leite, tenho que me alimentar, dormir, beber muita água. Eu acordo na mesma hora, dou banho no mesmo período, almoço na hora do almoço pois caso contrário não almoço mais, já que nesse horário ele tira um (mini) cochilo. E assim por diante.

E eu confesso, achava que ter essa rotina era uma prisão, que eu não queria nada disso, que me sentiria impotente e sufocada pela mesmice. Ledo engano.

Agora uso com sabedoria meu tempo livre. Planejo melhor as coisas. Dou mais valor aos detalhes. Simplesmente por saber que mais ou menos naquele período eu vou ter tanto tempo livre. Isso me acalma.

É assim no mais ou menos. Pra não cair na rigidez, vira e mexe Bento troca tudo de lugar e a hora que era de mamar vira a de tomar banho.

Aprendizado constante esse menino me dá.

Agora vou assim, tentando me desapegar e entrando mais no ritmo que a vida vem me ofertar.

……..

Antes eu faria esse bolo no susto. Não deixaria ele esfriar o suficiente na bancada pra desenformar, causando sempre problemas nas bordas. Rechearia o bolo ainda morno, fazendo com que o creme de manteiga derretesse. Cobriria com pressa e a calda escorreria mais de um lado que do outro e tudo teria sido extra triste.

Mas agora, que tenho pouca margem de erro, com o tempo contado entre uma chamada e outra do mini-ser, eu planejo (!!quem diria!!). Fiz o recheio duas noites antes. Fiz os bolos na noite anterior.  No dia D eu apenas montei o bolo e fiz a calda que não dava pra ser feita com antecedência. E então nasce um bolo feito por uma mãe.

Esse bolo é incrível por ser absurdamente simples de ser feito e seu resultado ser úmido e fofinho. Coisas que só dona Martha faz por você!

Receitas:

Bolo (da sempre prática Martha Stewart):

3/4 de xícara de cacau em pó

1 e 1/2 xícara de farinha de trigo

1 e 1/2 xícara de açúcar

1 e 1/2 col. de chá de bicarbonato de sódio

3/4 de col. de chá de fermento químico

3/4 de col. de chá de sal

2 ovos grandes

3/4 de xícara de leite + gotas de vinagre (buttermilk)

3/4 de xícara de água

3 col. de sopa de óleo

Preparo:

Pré-aqueça o forno a 180°C.

Em um recipiente coloque todos os ingredientes secos e misture com um batedor de arames (fouet).

Em outro recipiente misture todos os ingredientes molhados.

Adicione os ingredientes molhados aos secos e misture. (A massa fica bem líquida)

Em duas formas untadas e enfarinhadas derrame por igual a mistura e asse até que um palito saia limpo ao ser espetado no bolo.

Obs: Eu criei a mania de forrar o fundo da forma com papel manteiga e só depois enfarinhar, pra garantir que vai desenformar beeeem fácil. Mas teoricamente isso não é necessário.

Recheio de buttercream (creme de manteiga) (receita também da Martha Stewart!)

240g de manteiga em temperatura ambiente

3 xícaras de açúcar impalpável (exemplo)

1 col. de chá de extrato de baunilha

Preparo:

Bater todos os ingredientes na batedeira.

Cobertura: (da Ana)

200g de chocolate meio-amargo

40g de manteiga

Preparo:

Em banho-maria, derreter o chocolate e a manteiga. Espalhar por cima do bolo.

Montagem do bolo:

Depois de frios, desenformar os bolos.

Posicionar o primeiro bolo no prato e espalhar por ele o recheio de Buttercream.

Posicionar sobre o recheio o segundo bolo.

Cobrir o bolo com a cobertura de chocolate e ser Feliz!



Peanut Butter Cookie – Cookie de pasta de amendoim
November 3, 2013, 7:45 am
Filed under: Doce

Cookie de Peanut butterA crueldade da expectativa. Essa eu enxerguei há pouco tempo.

Foi em alguma situação que me frustrou, nem me lembro qual, que o Ricardo me apontou o motivo de tamanha tristeza com o acontecido. A expectativa.

Ele nem disse que minha expectativa tinha sido grande demais. Não deu adjetivos a ela. Não disse ser alta ou baixa, gorda ou magra. Apenas se referiu à pura presença dela.

Eu claro que debati com fervor. Afinal, expectativas na vida são importantes, temos que tê-las para nos mantermos motivados a continuar a caminhada etc e tal.

O fato é que eu não queria aceitar a verdade. Por que a verdade é sempre tida como luz (que eu até concordo), mas ela vem com a sensação de soco na boca do estômago, pra mim pelo menos…

Ele explicou que existia uma  grande diferença entre esperança e expectativa. E eu tive que viver mais algumas muitas frustrações com essa conversa na cabeça pra começar a digerir a ideia.

A esperança tem um Q de humildade. Você espera pela coisa boa, mas sabe que não tem o poder de definir a situação. Pode até fazer o seu melhor e assim influenciar para que as coisas caminhem naquela direção, mas a palavra final está sempre ligada a algo mais complexo, mais poderoso, mais sábio e maior (muito maior) que nossa parca visão da vida.

A expectativa, na minha opinião, já é mais arrogante. Você diz que está com boas expectativas pra tal coisa, mas no fundo tem o sentimento de que SABE que vai ter o resultado que espera. Que as coisas vão sair da maneira que imaginou, que você sabe o que é melhor e por isso essa é a única maneira de dar certo. Por isso TEM que acontecer assim.

Se só tivermos esperança e a coisa não seguir a direção que tínhamos imaginado, logo nos convencemos de que foi pro melhor, com mais facilidade vemos o lado bom do novo caminho que se apresentou e menos frustrados ficamos.

Pelo menos foi assim que eu entendi. E sempre que me pego com novas expectativas, porque esse é um hábito difícil de tirar – o de me achar conhecedora da verdade e do caminho certo – eu me lembro desses cookies e de mudar da expectativa para a esperança e adicionar mais humildade.

A história dos cookies foi assim, eu estava comendo poucos doces por diversos motivos, então queria um doce perfeito, pra valer a pena a falta cometida.

Resolvi procurar A receita de brownie. Uma combinação de super úmido, cremoso e de gosto intenso.  Pesquisei, pesquisei e escolhi pelas lindas fotos e receita super interessante esse aqui. Afinal, pasta de amendoim e avelã não tinham como dar errado e olha só pra cara lindademorrer desse brownie. Era perfeito!

Eu fiz os brownies. Eu assei, descasquei e triturei a avelã. Eu reli a receita mil vezes pra não ter perigo de errar. Eu comprei pasta de amendoim importada. Eu me esforcei. E minha expectativa era: Não tem erro. Vai sair perfeito.

Bom ele é mesmo, muito bom, muito rico etcetcetc, MAS não tem a textura que eu queria, não tem o sabor que eu procurava e, sim, eu chorei de tristeza ao dar a primeira mordida e quase morrer de decepção. (O choro foi um bônus dos hormônios da gestação…).

E aí eu fiz esses cookies, assim só pra usar o que restou da pasta de amendoim. Fiz quase sem prestar atenção. Fiz, mesmo o Ricardo tendo torcido o nariz para o fato de não levar farinha (porque pra ele, não levar farinha = impossível ser bom esse negócio). Fiz só na Esperança de ter algum doce pra oferecer pras visitas daquele final de semana.

E eles saíram assim lindos demais do forno, mas como eu ainda estava abatida com a história toda, nem dei muita bola.

Enquanto esperava a segunda fornada assar, sentei com meu enorme barrigão de mil meses na banqueta da cozinha, de frente para o forno, e peguei um dos cookies que estavam esfriando na grade em cima da mesa. Mordi displicente. Parei de pensar no que estava pensando. Quase parei de respirar. Foi MARAVILHOSO! Eles eram perfeitos pro meu gosto de cookie. Tinham essa camadinha de crocante por fora e eram cremosos por dentro. Com um super sabor de paçoca, com gotas gigantes de chocolate que derretiam a cada mordida.

E foi assim, com a esperança, que meu desejo se realizou – e não com a expectativa.

…………………………………………………………………..

Cookies de pasta de amendoim: (da Dona Martha Stewart, que não deixa nossas esperanças morrerem nunca)

Ingredientes:

1 xícara de creme de amendoim (usei do importado, que faz bastante diferença. Também fiz com o nacional. São dois resultados completamente diferentes.)

3/4 de xícara de açúcar

1 ovo grande, ligeiramente batido

1/2 col. de chá de bicarbonato de sódio

1/4 de col. de chá de chocolate

150g de chocolate meio amargo picado (a receita original pede 3/4 de xícara de gotas de chocolate meio amargo + 1/2 xícara de amendoim torrado, mas substitui assim)

Preparo:

Pré aqueça o forno a 180ºC.

Em um recipiente, misture a pasta de amendoim, o açúcar, o sal, o bicarbonato de sódio e o ovo. Adicione o chocolate picado.

Com as mão úmidas (eu costumo untar com óleo, acho que funciona bem, mas a dica da Dona Martha é molhar as mãos mesmo), faça 12 bolinhas  (cerca de uma colher de sopa cada bolinha) e disponha em uma assadeira forrada com papel manteiga ou silicone.

Asse por 12 a 14 minutos.

Retire do forno e deixe os cookies por mais 5 minutos na assadeira. Então passe para uma grade para esfriarem completamente.

Repita com o restante da massa.




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