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Calda de Morango com Vinagre Balsâmico
November 13, 2011, 8:53 pm
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Às vezes eu tenho vontade de viver outra vida.

Não que eu não goste da minha. Eu gosto dela, com os percalços e alegrias que ela me dá. Mas às vezes, depois de ver um filme diferente, eu fico assim com essa vontade de largar toda essa realidade e seguir um rumo completamente diverso desse.

Hoje eu assisti mais uma vez Um lugar Qualquer (Somewhere) da Sofia Copolla. É um filme de digestão difícil pra muitos. Ele é parado, trata apenas de fatos simples e dentro de uma realidade específica que no fim se aplica a quase tudo e quase todos. Confesso ser apaixonada pelos filmes dela. Eles me dizem coisas mesmo sem palavras. Eles me entendem. E eu me sinto parte daquela trilha sonora com aquelas questões simples e complexas, quase ininteligíveis.

Eu reconheço, sou normalmente um tanto impalatável.

Existem algumas coisas que faço que me tiram da minha realidade rotineira e me levam pra um outro mundo, um outro lugar, uma outra pele.

Ouvir as músicas que a Isa seleciona pra mim (ela sabe ler minha alma.. isso facilita) me tiram do trânsito, do chão, da Paulista de todo dia. Ver filmes lindos também me proporcionam isso. Cozinhar, como sempre, me limpa a mente e me permite respirar.

Essa calda de morango nasceu assim de uma necessidade mútua. Os morangos orgânicos estavam nos últimos suspiros e minha mente nos últimos instantes, e assim, nós (os morangos e eu) decidimos fazer algo produtivo com a situação toda. Algo novo para nós, algo doce, vivo, calmo.

Cortei o topo dos morangos, passei por água, misturei na panela de fundo grosso com um tanto de açúcar demerara orgânico e mais um outro tanto de vinagre balsâmico. E fiquei olhando, olhando o fogo transformar coisas tão distintas em algo aparentemente comum. Mas o sabor denuncia, de normal essa calda não tem nada. Doce e sublime. Penso em comê-la com iogurte pela manhã.



Bolo de Beterraba
November 2, 2011, 10:10 am
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Já passa de um ano. Já passa de um ano que voltamos, que mudamos, que recomeçamos.

Já passa de um ano a última floração dessa orquídea. E aqui está ela com novas flores pra me provar que tudo recomeça e que os ciclos são infinitos.

Acho incrível o tanto de mudanças e acontecimentos que cabem no período de um ano. Acho incrível como coisas tão importantes acontecem assim e que um mesmo período possa parecer tanto e tão pouco ao mesmo tempo.

Foram lares emprestados, lares fixados. Famílias de volta. Plantas na sala, casa em obras. Muito tempo pra cozinhar, pouco dinheiro para comprar. Pouco trabalho, muito trabalho. Fé desconhecida desabrochando. Sobrinho novo, irmãos casando. Passou um ano.

A minha rotina já mudou uma meia dúzia de vezes, o que me deixa tranquila e doida ao mesmo tempo. Foram pessoas novas que entraram pra me ajudar. Sou grata por elas. Foram amigos de sempre que revejo pra lembrar, amar não tem preço.

As saudades do outro lado do oceano são muitas, de muitos, de tudo. Mas a vida gira e eu me esforço para me readaptar à realidade do que me norteia no momento.

Esse bolo eu fiz pra relembrar a liberdade que eu tive no outro ano, pra me lembrar que o que poucos fazem é geralmente o que me cabe. Pra saber que tudo bem ser assim, ser de beterraba e não de cenoura como a maioria.

Estou feliz. Eu realizei esse ano um sonho antigo. Sim, eu tirei leite da vaca! Bem, eu tentei pelo menos.

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Receita: (tiger in a jar)