PicNic… PicMe


tricotando
April 18, 2009, 9:37 am
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novelo

novelo-4

Não é exatamente isso que se faz nos blogs da vida? Tricotar. Tricotar no sentido figurativo da coisa, afinal ninguém sai com um cachecol ou um manto depois de passear pelas linhas de um texto.

Imagino eu que a expressão tenha nascido da observação de senhoras tricotando (de fato) que, por pura prática, não precisam de tanta concentração nos pontos que escorrem de suas mãos, logo, uma futrica ou uma conversa faz imensa companhia.

Além de papear por aqui, gosto muito de tricotar. Ainda sou iniciante (em geral, sei de tudo um pouco, mas bem pouco de cada tudo), mas amooo ter meu cachecol by me!

Da primeira vez que fui a Buenos Aires, achei uma lojinha na Av. Santa Fé que vendia lãs. Foi exatamente a única de toda a viagem.

Como eu fui no inverno e por aqui as lãs Argentinas são as que mais me agradam, já tinha planos de adquirir diversos novelos.

Incrível como a imaginação é fértil. Eu já sei que muita coisa que vem de outros lugares não se encontra necessariamente no seu lugar de origem (culpadas: Globalização e Exportação). Descobri que o melhor do nosso café NUNCA fica por aqui, portanto, com outros artigos de outras partes do mundo (em geral terceiro mundo, no primeiro eles vêm em primeiro lugar), o mesmo ocorre.

Não adquiri nenhum novelo. Lá ainda se vende por meada (fios não dispostos em bolinhas – sabe aquela cena da vovó enrolando a lã pra acrescentar ao cesto de novelos? Então, ela comprava a meada de fios e tinha o IMENSO trabalho de tranformá-la em novelos!).

Hoje usamos mais os termos tricotar, novelos, agulhadas para metáforas do que realmente para descrever as etapas do processo de confeccionar uma peça a partir de uma meada de fios.

Nessa última viagem a Bs.As., voltei à exata lojinha e comprei (bem mais barato, dessa vez fui no verão) algumas cores.

É lógico que não quis fazer do jeito de sempre (duas agulhas e bons filmes), então resolvi aprender mais uma técnica (para saber sempre de tudo um pouco, e bem pouco, é preciso investir!): Tear de Tricô.

O lindo cachecol que nasce desse tear não é considerado uma tecelagem. Tecer consiste entrelaçar os fios de outra maneira que não a do tricô. Não consigo dar essa explicação assim tão detalhada, aqui estão as palavras que me escaparam.

novelos de lãCachecol

Gostaria de tecer mais comentários sobre esse mundo, mas ainda sou uma aprendiz.

Tenho esse desejo obscuro e compulsivo pelo aprendizado herdado. Sempre sonho que uma vó, uma tia, um pai, uma irmã, me passem seus saberes. Tenho vontade de sentar horas e aprender de tudo, com cada um que tem algo a oferecer. Essa minha sede por conhecimento hereditário é usualmente frustrante. Quanto tempo temos para sentar ao lado de um descendente e ensinar algum segredo? Por isso desenvolvi a paranóica mania da observação. Vejo, ouço, sugo o que eu acredito ser interessante, um dom de cada um que me apresenta algo novo.

O mais difícil é fazer as pessoas acreditarem que estou de fato interessada num assunto que é tão banal para elas. Tive essa clareza toda quando tive de ir a uma aula de tear. Tenho tanta coisa pra herdar da minha imensa família e tive que ir a uma aula!

É obvio que quero ir a aulas, conhecer coisas inusitadas e, quem sabe um dia, ensinar a alguém que não sabe ainda (ensinei a Beca a tricotar!), mas por que perder esse laço tão bom?

Essa é uma das coisas que mais sinto falta da mamãe, o incentivo ao novo e ao velho. A paciência de uma artesã e seu orgulho de transmitir seu conhecimento, como mestra nessa arte.

lojinha em BA

PS: Aqui tem a explicação de diversos pontos do tear tricô (eu nunca ia conseguir descrever isso!)



Páscoa, Easter, Pascua, Ostern, Pâques, Pasqua….
April 16, 2009, 8:40 am
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Originais

Fui consultar o Pai dos Burros para trazer o significado simplificado dessa festa.

Páscoa
Pás.coa
sf (lat ecles pascha, do aramaico pasHâ’) 1 Festa anual dos judeus, comemorativa de sua saída do Egito. 2 Festa anual dos cristãos, comemorativa da ressurreição de Cristo. 3 Comunhão coletiva: Páscoa dos bancários, Páscoa dos professores. 4 fam Pessoa sorridente e prazenteira. sf pl Presentes, alvíssaras. P. do Espírito Santo: a festa do Pentecostes.

Teoricamente sou católica, mas sinceramente, poucas lembranças da nossa comemoração eu tenho. Lembro-me do bacalhau com batatas e de dias tranquilos, não me lembro de muitas histórias da bíblia ou de rituais desta passagem.

Entretanto, a oito anos frequento a noite de Pessach na família do Rick. É um super evento na casa da tia Bia e do tio Flávio. Um mix de judeus devotos e outros nem judeus de fato, todos dividindo a mesma mesa, cantando as mesmas rezas.

Já virou de praxe levar, como agradecimento do convite, trufas para os anfitriões. Sempre as mesmas tradicionais trufas de chocolate meio-amargo, só mudo a apresentação!

Caixa de TrufasSurpresa!hmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm

Eu acho que deveriamos cultivar mais a tradição de esconder ovos de páscoa para as crianças acharem.

Na páscoa Judaica, o anfitrião esconde o afkoman, pedaço de Matzá envolta em um guardanapo, e a criança que encontrar ganha um prêmio. Como eu não posso ir em busca do afkoman, eu me deleito com os guefiltefish e a sopa de Matzo Ball!

Infelizmente, conseguir essas receitas tradicionais das família judaicas é quase impossível, mas caso eu consiga alguma passo pra cá!

Bem, já que estou recordando as delícias da páscoa, não posso deixar de lembrar do maravilhoso Bacalhau à portuguesa da tia Tela, essa receita eu pretendo providenciar para o futuro (os ingredientes adequados para sair realmente Maravilhoso são também inacessíveis!).

É claro que eu também levei trufas para os anfitriões do Bacalhau da Sexta-Feira da Paixão, apenas quatro trufas para os tios vicíados em regime.

olha só a tentação!chic!PS: as caixinhas foram reformadas de um antigo presente, colei algumas fitas de cores diferentes, que eu também angariei de presentes antigos. As flores vermelhas de papelão e o plástico que sustentam a trufa foram compradas em uma das milhões de lojas de embalagem da 25 de março!

Embalagens ecologicamente e monetariamente corretas!



Atelier
April 1, 2009, 8:19 pm
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Papelera PalermoAtelier Papelera Palermo by RichSerigrafia by RichAula de Serigrafia

Atelier: local para livre criação.

Esse atelier da foto é o da Papelera Palermo, uma papelaria incrível de Bs.As. que faz tudo de forma artesanal.

Esse é o atelier dos meus sonhos.

Tem uma aura de “sinta-se em casa” que não se compra. As mesas manchadas de tinta, as prateleiras improvisadas, os armários abarrotados, as janelas desproporcionais, o cachorro dormindo na porta, o jardim com banquinho de ferro, a infinidade de inspiração gerada pela atmosfera contagiante de arte.

Fizemos um curso de serigrafia lá. Foi perfeito. As aulas, professoras e alunos, tudo muito inacreditavelmente palpável.

Muitas vezes acho que esses lugares são pra poucos artistas consagrados e afortunados, mas não. Eu vivi por algumas horas um atelier comme il faut.

A Fê Matsu postou em seu blog um site divertido em que as pessoas mostram em poucas fotos a realidade do seu espaço de criar.

Quem sabe um dia ainda posto o meu lá, com todos esses detalhes desajeitados que tornam inesquecíveis as horas de criação e tranformação.

gaveteiro



pomelo, toranja, ananás, kiwi, berries e tal
April 1, 2009, 6:26 pm
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pomelos e limões Sicilianos by Rich

A diversidade do mundo das frutas é algo que me fascina.

O que eu mais amo nelas é o fato de que todos podem apreciá-las sem grandes dificuldades.

O que quero dizer mais especificamente é que não precisa ser um gourmet ou uma cozinheira de mão cheia para saborear uma mordida suculenta de uma pêra. A fruta está ali, prontinha, não precisa de nenhum meio de cocção elaborado ou de ingredientes específicos para acertar o ponto, muito menos experiência no assunto cozinha.

A beleza mora na simplicidade, ao meu ver. Assim, as frutas são o melhor exemplo desta pureza.

Amo também a flexibilidade desse mundo a parte. Podemos apreciá-las nuas e cruas, mas também permitem o mais variado uso. Em doces, salgados, drinks, géleias, cozidas, assadas, fritas e misturadas, é infitito.

As únicas barreiras que se apresentam são: sazonalidade e regionalidade.

Com o mundo moderno temos morangos o ano inteiro (estou pegando o morango pra Cristo, simplesmente por ele ser sempre o Cristo quando se trata de frutas o ano todo. Quem comia morango só em Agosto, sua melhor época, apresenta certa raiva de termos morangos o ano todo. Afinal, em janeiro eles tem gosto de nada e a desilusão dos apaixonados é tamanha que preferem a espera de um ano todo para aproveitá-los em sua melhor performance!).

Confesso que pouco sei sobre a sazonalidade das frutas, sei que estamos na época de caqui, pelo simples motivo de ver caqui em abundância nas feiras e supermercados. Ainda não sei escolher bem um caqui, mas agora é a hora de aprender, antes que acabe a sua época.

A primeira vez que pude sentir o efeito do sazonal foi em Portugal, há alguns anos. Passei dois meses lá e a cada semana uma nova surpresa no mercado. Na primeira semana encontrei meloas (o melão cor de laranja por dentro!) muito cheirosas (sonho com aquele perfume doce e a textura macia e aquosa), na semana seguinte tinham poucas meloas, mas muitas muitas muitas cerejas igualmente deliciosas. Ou seja, a época de cada fruta é respeitada naquela cidadezinha, só se compra as frutas no seu auge.

A outra dificuldade quanto a essas iguarias é onde encontrá-las. Meloas em Portugal, berries na Europa ou Estados Unidos, granadillas no Peru, pomelos na Argentina. É assim que deve ser. Infelizmente, fico com desejos, mas aproveito o que temos aqui de melhor. Coco, banana, caju, etc e tal.

Achei um blog que tem uma tabela com a sazonalidade de diversos alimentos. Ainda não testei, mas acho válido pra quem tem disciplina de verificar.