PicNic… PicMe


Era Uma Casa…
November 29, 2008, 9:11 am
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Guarujá

A digestão sobre esse assunto está sendo lenta, assim como quando a mamãe comia pimentão ou quando o papai não resiste a uma Pizza Hut no jantar! Hooooras de conversa com o estômago e consciência.

Descobri que dei a primeira mordida nessa história (já tinha beliscado o tema antes, mas só agora mordi mesmo!) quando começaram a chegar os presentes de casamento.

Como se é de esperar, chegaram também os palpites do que se deve ter ou não, do que é imprescindível e o que é adquirível ao longo da vida, etc e tal.

Foi decidido por todos (esse todos são muitos mesmo!) que o fundamental é um belo conjuto de louça fina, taças de cristal, faqueiro (a briga sobre ser de prata ou inox ainda está viva!) e itens de prata (bandejas, jarra, travessas e outras coisas mais que nem imaginava existirem em prata!). Bem, foi ai que o bicho me mordeu.

Eu sempre imaginei que herdaria taças, louças e blablabla. Não sei o motivo, mas amo muito mais as coisas que carregam o “foi da minha mãe/tia/vó/tiavó/bisavó….”. Eu queria ter o nosso jogo (já que o Rick acha tudo que tem cara de vó/Bisavó e cia terrível, a não ser que tenha o mesmo gosto que ele, basicamente só o que a tia Nica gosta é que ele também gosta!).

Fiquei chocada ao reparar que nem sei quais são as taças que a mamãe ganhou quando se casou, ou como é a louça da vovó. Conheço de cor as louças da avó do Rick, as toalhas de mesa da vovó Eneide, as louças da Tia Nica, os talheres de prata roubados, a mesa de jantar oval da Dona Fanny em que eram servidos almoços semanais para toda a família (a Tia Nica tem uma mesa igual e toda quarta tem um almoço espetacular nela!).

Lena e eu vamos dividir os conjuntos de louça que a mamãe e o papai adquiriram quando moravam em Portugal, foi o acordo que fizemos com o papai. A mesa de jantar com desing Italiano foi pra Irene (ela ama a mesa e deve estar linda no novo apê!). As cadeiras com “nós”, a Lena pediu pra ela; eu pedi o terninho e assim foi a divisão de alguns itens que fizeram parte da nossa memória de infância.

Dei a segunda mordida nesse assunto há uns dez dias.

Não temos mesa de jantar. Lembrei da mesa da vó do Rick que foi vendida quando o avô faleceu. Amamos aquela mesa. Queremos aquela mesa.

Liguei ontem para o comprador dela.

A mesa de oito lugares com desing de Eero Saarinen / Charles Eames, com acabamento em Jacarandá, está na sala de jantar deste leiloeiro de arte. Ele NÃO quer nos vender de volta. Chorei.

A terceira mordida eu dei na verdade antes da segunda, mas ela demourou mais pra cair a ficha.

Tia Nica vai vender a casa do guarujá.

Falei pro Rick no carro: – Acho que vou chorar muito quando ela for vendida.

Essa questão rende toda uma nova digestão, mas como tá tudo junto, não teve jeito. Vai ter que ser simultânea a compreensão.

Ontem, enquanto olhava pela porta do Rosmarino – e aguardava a chegada de  mais clientes ou a ida de outros – começei a pensar sobre esse meu apego a uma casa de veraneio de outro alguém.

Além dos motivos óbvios, como bons momentos vividos lá (foram várias páscoas, nivers do Rick, algumas viradas de ano e janeiros de verão) reparei que o estopim para tanto amor a essa construção pouco tem a ver com suas paredes (lógico que aquela arquitetura que amamos e detalhes tão parecidos com nossos sonhos são itens importantes para esse amor!). Me sinto em casa naquela casa.

Foi aí que pensei: como é que uma pessoa consegue transformar um local estranho em lugar que se sente em casa. Não cheguei a nenhuma grande conclusão.

Observei que sentir-se em casa tem a ver com sentir-se seguro, o que é muito subjetivo (porque você se sente mais seguro girando a chave da porta duas vezes ao invés de uma? Se quiserem abrir, tanto faz, uma, duas ou dez!). Tem a ver com liberdade. Tem a ver com intimidade. Tem a ver com afinidade (com o anfitrião, a vizinhança, a mobília, os quadros, a energia, o gato, o cão…). Tem a ver com se sentir a vontade. Tem a ver com ser você mesmo, assim como se estivesse na sua casa… Se sentir em Casa.

Reparei que de forma inconsciente faço um teste pra saber o quanto em casa me sinto em cada lugar. Sempre penso na cozinha. Se entraria lá quando quisesse. Se abriria a geladeira. E o teste mor, se cozinharia lá. Estes são os degraus que separam uma casa que estou como visita e uma casa em que me sinto em casa.

E foi ai que descobri o motivo de tanto apego à casa do guarujá, da Tia Nica. Esta casa é uma das poucas onde me sinto em casa. Percebi que as poucas casas onde me sinto em casa estão sumindo.

Me sinto em casa lá, me sinto em casa na casa do papai na rua japão, na casa da Lena, na da Tia Angela, na da Tia Ana Paiva, na da Tia Wanda (essas duas últimas não são no Brasil, então é raro aproveitar isso!) a ponto de cozinhar o que eu quiser, de dormir no sofá vendo filme, de levar a Avelã comigo, etc, etc…

Me sinto a vontade em outras tantas, mas não a ponto de cozinhar…

A quarta mordida ainda está por vir.

Perder essas casas onde me sinto em casa me dá uma certa insegurança, o porquê e o que fazer em relação a isso será o próximo tema a ser digerido.

Essa música é uma das minhas favoritas de criança! A Irene que cantava pra gente quando eramos pequenas. Ela AMA a Arca de Noé e a turma do Balão Mágico!

A letra se encaixa perfeitamente em tudo que andei tagalerando. No fundo, no fundo, o que nos faz gostar de uma casa é completamente sentimental e não material.



Negro Céu
November 29, 2008, 7:33 am
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céu

Não, a foto acima não foi tirada no pôr-do-sol, nem no nascer dele.

Não sei da onde vem esse tom alaranjado.

Foi tirada as 3H01 dessa madrugada.

Esse ano, nas madrugadas de sono turbulento, observei que o céu não fica negro ao anoitecer.

Cada vez que dizia isso a alguém, ouvia uma teoria (nome chic pra desculpa, quem é que quer filosofar sobre a cor do céu nas madrugadas de Sampa!) diferente:

– Ahhhhhhh, mas tava nublado, ainda vai chover, ai não fica escuro mesmo.

– Ahhhhhhh, mas estamos no verão, o céu fica mais claro a noite.

– Ahhhhhhh, mas é inverno, o dia amanhece mais cedo, por isso que você nunca pega o céu com cor de noite.


As madrugadas que fui visitar minha sala e olhar o horizonte não foram poucas, e garanto que foram poucas as vezes que vi o céu azul escuro, e mínimas as que vi estrelas. Será que todas as cidades grandonas são assim? Será que é pra sempre? Não tenho certeza se me lembro de já ter visto noites escuras por aqui. Sempre observei das janelas da casa do papai o céu na madrugada. Não tenho certeza se via o céu escuro.

Me lembro das noites no sítio. Aquele céu negro em que, a alguns passos de uma lâmpada, nada se enxergava. As estrelas formavam uma teia e a lua, um farol. O medo sempre batia no fundo do estômago. Não o medo de bicho ou de ladrão, o medo ao perceber o nosso ínfimo tamanho no mundo.

Sinto falta desse tapa na cara que a natureza nos prega. De tempos em tempos tenho a sorte de viver isso. Ouvir e ver as ondas quebrarem ao nascer do sol em uma praia deserta também dá a mesma sensação de impotência e pequenez. Ser abraçado pelo negro céu, sobrevoar um oceano, navegar por geleiras, camelar em desertos, imagino que tudo isso traga esse mesmo frio na barriga. Que é bom e ruim ao mesmo tempo!

A consciência de que minhas conquistas, meu cargo de trabalho, as línguas que eu falo ou a casa que eu tenho não são úteis caso aquele negro céu queira me abraçar ou as ondas venham me levar é o tapa a que me refiro que a natureza me dá. Tudo isso é importante só dentro da sociedade, dos conceitos, das futilidades. Nada disso conta pro universo da natureza. Tudo isso me parece tolo e supérfluo ao olhar nos olhos da natureza.

Gosto deste tapa, gosto porque assim tenho a impressão de que consigo respeitá-la mais, atitudes diárias no meu cotidiano permitem a manutenção da natureza, e tornam minha presença nula.

Acredito que nossa presença ante a natureza deve ser nula, acredito que só existem duas opções: Nula ou Negativa. Não acho que exista Positiva, a natureza é perfeita, não tem como melhorá-la (pelo menos os seres humanos estão longe dessa proeza). Aprendi que os índios só tomavam da natureza o que lhes era fundamental para a sobrevivência, nada mais. Acho que isso seria o equivalente a ser nulo. Eu tento, ainda tenho um longo caminho para aperfeiçoar.

Quem sabe um dia ainda consigo ver por aqui essas noites escuras. Afinal, a esperança é a última que morre.



Tudo depende de como você vê as coisas.
November 16, 2008, 9:07 am
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Espiando atrás da porta

“Tudo Depende De Como Você Vê As Coisas” – Li esse livro há dez anos.

Foi numas férias entediadas. Peguei no quarto da Lena porque gostei da capa, ela ama a Cia. das Letras. Foi uma revelação.

Um livro incrivelmente realista em forma de história lunática infantil.

De fato, tudo depende de como vemos as coisas. Isso não é segredo pra ninguém (o copo sempre está metade cheio ou metade vazio!), mas apesar da consciência desta divergência de olhares, poucos realmente fazem o exercício de visualizar o mesmo acontecimento de diversos ângulos.

Normalmente, o pessimismo impera na nossa visão da realidade. Normalmente, a vista só desembassa quando algo realmete ruim nos é apresentado (não necessariamente um fato que ocorra em nossas vidas, pode ser na história alheia que nos é exposta).

Foi sexta-feira a última vez que presenciei isso acontecendo.

Estava trabalhando e a Tia Angela subiu ao escritório meio atordoada (ela anda nervosa com a crise e tal, quem não anda?), mas perguntei o que tinha acontecido. Ela disse ter ficado chocada com o fato que o cliente acabara de lhe contar: Ele perdeu um filho. Vi em seu rosto o alívio de ter seus dois sãos e salvos e o pensamento de que a conta bancária positiva não era realmente o que fazia (ou deveria fazer) seu humor estar bom. Passou.

Vista

Fomos ontem ao Shopping FEVER (temporada de descontos) na MiCasa, loja com coletânea de móveis de desing inacessíveis ao nosso bolso.

Aproveitamos para conhecer a loja, que tem uma arquitetura fantástica, e babarmos um pouco nos móveis!

Tudo lindo, mas o mais incrível foi a vista da loja. No último andar tem um deck que dá um panorama do bairro.

Foi a primeira vez no dia que avistei como tudo realmente depende de como se vê as coisas. Pior, de como se aproveita as oportunidades.

Duas casas geminadas do outro lado da rua apresentam exatamente o que quero dizer. Saber aproveitar bem o que temos é uma arte, a inutilização de parte disso é um pecado. Queria saber o motivo de só uma das casas fazer bom uso da laje de cobertura.

Solarium

Não fizemos nenhuma aquisição (óbvio).

Fomos almoçar em família.

A caminho do Integrão, Rick e eu vimos, quase ao mesmo tempo, um achado. Ficamos babando: “Fica pra depois do almoço, é do outro lado da avenida”.

Almoçamos e voltamos à casa, quase destruída, na Rebouças.

Um ferro velho de preciosidades. Portões antigos, cadeiras, pias, gaiolas, esculturas, luminárias, esquadrias, tudo ou quase tudo que se pode imaginar. Lindo.

Compramos luminárias. A cara da casa da Tia Nica, logo a nossa cara. Se elas estivessem limpinhas, poderíamos contar que foram adquiridas na MiCasa.

Fiquei obvervando o espaço enquanto o Rick vasculhava mais de perto. Tinha lá mais dois possíveis compradores de objetos. Eles nos olharam com curiosidade. É incrível ver que existem pessoas como nós, que enxergam a beleza em peças nesse lugar, mesmo que ainda precisem de retoques e ajustes.

Tudo depende de como se vê as coisas. É preciso apertar os olhos e abrí-los (tem que ser de uma vez, como entrar em piscina gelada) para as possibilidades que temos a nossa volta. Enxergar as possibilidades e ter coragem de fazer o diferente é fundamental para uma vida mais profunda.

Infelizmente, as pessoas só tem “momentos” dessa visão. Logo balançam a cabeça pra os olhos voltarem ao normal. Nublados.

Acho que foi mais ou menos essa a mensangem de Ensaio Sobre a Cegueira. Acho que Saramago quis mostrar isso. Acho também que quase ninguém enxergou. Acho que ainda tenho que apertar bem os olhos e abrí-los de repente muitas vezes, acho que vai ser pra sempre. Acho que tem que ser em todas as situações. Somos únicos. Somos Todos iguais.

Temos luminárias novas, e com gostinho de “Foi o Rick que as recuperou”!

Portas abertas pra sorte entrar

Achados e PerdidosLumáriasvisão turva



Domingo-Feira
November 9, 2008, 1:44 pm
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Foto tirada pela mamãe!

Fomos à feira domingo passado.

Amo esse programa. Seja lá qual for o tipo de feira (artesanato, roupas, antiguidades, hortaliças e frutas, livro, ciências), tendo aquela explosão de cores e vidas é o que importa.

Durante um almoço, me disseram que as feiras livres é que atravancavam o trânsito de vez, e queriam o fim das feiras. Fiquei chocada e irritada.

Lógico que atrapalha alguém em algum lugar. Quem mora em rua que tem feira tem que ficar com o cheiro de peixe até que o caminhão pipa venha lavar a rua, tem que deixar o carro estacionado em outra rua na noite anterior, tem que acordar com as mais diversas cantadas dos feirantes. Nada no mundo só agrada, muito menos a todos.

Feira é uma mistura de histórias ao ar. O feirante, que madruga e traz as marcas do trabalho visíveis a olho nu nos nós dos dedos. A senhora, que desconfia e confia de tudo, caminha no seu ritmo, um tanto quanto desacelerado em relação ao resto do ambiente. A mãe, que apresenta à criança as cores com a ilusão de convencê-la a comer mais frutas. A empregada, que escolhe com cuidado pra tentar agradar a patroa. A galera que só fica na pontinha da feira, aproveitando o pastel e o caldo de cana.

Sempre gostei, mas comecei a olhar de outros ângulos as feiras quando a mamãe revelou uma foto da senhorinha com seus produtos em volta, em uma feira em Espinho, Portugal.

Os sons, cores e aromas que contornam estas ruelas, que se tranforma uma vez por semana em tal cenário, são poderosos e aconchegantes. Todo mundo se sente em casa na feira. Elogios e piadas. Pechinchas e argumentos. Sacolas coloridas e carrinhos barulhentos.

Gastamos quatro reais nas nossas compras, voltamos com a sacola pesada.

O valor cai conforme a fome aperta no estômago do feirante, hora do almoço. As folhas de papel que marcam o  produto e o valor ficam presas por pregadores a barbantes. São trocadas a cada ronco da barriga. no fim da feira não tem mais nome, só o valor. Tudo a um real.

R$4.00 no fim da feira = 1 dúzia de banana nanica + 1 dúzia de banana ouro + 1 couve-flor + 1/2 dúzia de cenouras.

Domingo passado encontramos a Má e o Beto no restaurante. Eles contaram que agora cultivam no jardim de casa uma horta orgânica, a rúcula foi a salada da vez. Fiquei babando.

Imediatamente me lembrei dos morangos da Tia Ana Paiva. Foi uma semana incrível naquela casa perfeita. Mas os morangos frescos, colhidos ainda naquela manhã são inesquecíveis. Comemos misturados na salada de alface (também da horta delas – os avós que cuidam, me explicou a Marta), invenção maravilhosa da tia Ana.

Um dia quero ter uma, mas não vou conseguir deixar de ir a feira, só pra me energizar. Quem sabe até fazer um intercâmbio temporário pro campo?!

verdinhaspastel de feiraYes, nós temos banana!alhos e bugalhostrès chic

Links pra amadurecer as idéias:

Intercâmbio: http://vidasimples.abril.com.br/edicoes/072/conversa/conteudo_391155.shtml

Faça você mesmo: http://vidasimples.abril.com.br/subhomes/comer/comer_238175.shtml?pagina=2

Cultivado em casa: http://vidasimples.abril.com.br/edicoes/070/mente_aberta/conteudo_294254.shtml




Herbal Garden
November 9, 2008, 9:25 am
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hebal garden

A primeira vez que vi uma uma horta com ervas frescas indoor foi na casa da Tetê.

Fiquei louca por uma!

Como de costume, o Rick se empenhou para realizar meu desejo.

Fomos ao Ceasa, compramos as mudas, a jardineira, a terra. Eu morava com o Papai, que sempre ri dessas coisas!! Uma risada gostosa, como quem vê uma sonhadora.

Plantei, mas elas morreram. Sou meio desastrada com as plantas, apesar de amar. Deixei o tempo passar.

Foi de presente que eu montei essa minha nova hortinha.

Nunca tinha comentado com as Shoushs da minha horta frustrada. Foi no meu Chá-de-Cozinha que a Có me proporcionou a criação de uma nova horta.

Ela ofereceu como lembracinha do Chá três tipos de mudas (hortelã, manjericão e alecrim), todas com a explicação do melhor uso culinário. Peguei das três pra mim!

Plantei e sai em lua-de-mel.

Na viagem fiquei apaixonada pela horta de ervas frescas do hotel, plantada em uma antiga canoa de pescador, muito comum na região.

Foi uma supersurpresa elas estarem lindas (VIVAS!!) quando voltamos.

Agora estou me deliciando com os pequenos usos que faço do meu “jardim”.

Ganhei esses mini azeites e aproveitei para aromatizá-los com minhas ervas-finas-frescas feitas em casa.

mudas de recordação

canoa furadacompotas



Singin’ in the rain
November 8, 2008, 9:20 am
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Parte I:

Nesta cena clássica, o mocinho dispensa o taxi e decide voltar a pé para casa.

Foi a pé que reencontrei uma lojinha de guarda-chuvas!

Lembro como se fosse ontem da mamãe separando todos os guarda-chuvas que precisavam de conserto. Íamos a pé até a lojinha para arrumar os mais diversos problemas (o cabo tá solto, o velcro tá velho, a estrutura tá enferrujada….).

Passei alguns anos procurando por este lugar. Foi o acaso que o trouxe de volta.

Fiquei pensando, acho que não existe mais isso de arrumar guarda-chuva. Não consigo imaginar as pessoas indo a lojas e esperando a ligação para ir retirá-lo. Acredito que hoje, talvez pela praticidade, talvez por preguiça, talvez por desapego, as pessoas simplesmente compram um novo.

Não sei o motivo, mas amo guarda-chuvas. Começou a muito tempo. Numa das minhas fotos favoritas de infância, estou com o guarda-chuva de ponta de madeira e bonecos de neve como tema (infelizmente não tenho mais, foi roubado com nossa antiga Elba Top).

Foi na véspera do meu casamento civil. A Lena me levou na cabeleireira dela (Lena: – Ahhh, você tem que fazer essa sombrancelha, vamos na Dona Helena que tem um salão aqui pertinho de casa! Já marquei sua hora!)(Nina: eu não discuto!!!!). Íamos conversando, como sempre, sobre mil assuntos ao mesmo tempo sem nunca terminar nenhum deles. Dobramos a esquina da rua João Cachoeira com a rua Tabapuã (andava muito por essas ruas, na outra esquina tem a Cinerama, ía uma vez por semana sapear os novos tecidos!). Foi quando a Lena apontou o salão, mas o que eu avistei foi a micro-lojinha de guarda-chuvas. Foi uma sensação incrível, quase indescritível. Parecia que tinha voltado no tempo. A loja simplesmente não mudou nadinha. Mesmos armários de madeira com vidro no meio para expor as estampas. Fiquei sem fala (isso é quase impossível!).

Entramos na loja. Contei ao senhor que estava atrás do balcão o flash-back que eu tive (o da lena foi mais aos poucos! Ela usa guarda-chuva só pra chuva, ou seja o que o papai deu, com o logo da empresa que trabalhava, tá mais que suficiente). (Senhor da loja de guarda-chuvas: – Com certeza é aqui, estamos abertos a 32 anos).

Foi assim que achei a lojinha que tanto procurava. Ao acaso, andando a pé!

A poucas semanas comprei um modelo lá. De bolinhas brancas. Foi uma realização.

Grecco – Fábrica de Guarda-Chuvas, Sombrinhas e Guarda-Sóis.

Rua Tabapuã, 756 – Itaim Bibi (quase esquina com a João Cachoeira)

Fone:3078-8671 – Fone/Fax: 30782954

sombrinhas

Parte II:

Estacionamos o carro. Resolvemos ir a pé pra olhar as casinhas.

Na verdade, tudo começou a um ano e meio atrás. Não sei o motivo, mas decidi que queria galochas (Welly boots). Estampada e tal.

Contei pra todo mundo. Todo mundo me olhou feio, que idéia de jerico.

(o Rick até tentou, foi até o Glicério comprar umas galochas que eu tinha avistado do carro. Segundo ele o vendedor não se conformava com o objetivo de apenas usar galochas – mas ela trabalha em açougue? então é pra usar no jardim? pra andar de moto? Não é possivel.- )

Seis meses depois, conversando com as Shoushs nos bancos do SENAC, a Có estava contando sobre sua viagem a NY com a madrinha e disse: – Vocês não sabem o que está suuuper na moda lá: galochas com estampas diferentes, tem até da Burberry. Quase tive um ataque. Tá vendooooooooooo? Elas existem!!!

Bem, estava meio distante da minha realidade ir pra NY, e não é que todo mundo ame trazer coisas dentro da mala, muito menos uma galocha! (nem eu traria! aliás eu não trouxe!) (pra não ser mentirosa, o João trouxe pra Isa uma de Londres. Acho que só ele e o Rick pra fazer esse tipo de coisa!).

Um ano depois chegou aqui, por míseros R$350.00. (lá custava uns US$20.00).

Bem, mais seis meses se passaram e eu desisti das galochas (mentirinha, quase nunca desisto desas coisas, mas vamos dizer que deixei pra depois). Estavamos passeando pelas ruas da Vila Olimpia, pertinho do Atelier da Có (aquela que comentou sobre a moda em NY)

Foi quando avistei uma lojinha linda, cheia de coisas xadrez. Entramos. Lá estavam elas, com bolinhas e tudo. Mas…(sempre tem um mas) eram pra criança. O maior número era 32/33 (eu uso 35, só pra constar). – ahhhh moça, posso tentar? – Poooode! (e o Rick me incentivando, como sempre!)

Não é que deu? Fiquei tão feliz! O mais incrivel é que estava na promoção. Minhas wellyboots custaram 1/7 das outras quando chegaram por aqui. Foi perfeito.

O mais incrível é que a vendedora da loja conhecia a Có!

Angelina vai às compras

Rua Prof. Vahia de Abreu, 653.  Fone:38456828

http://www.angelinavaiascompras.com.br

aquarela

Parte III:

A intersecção entre as duas histórias, além de serem sobre artigos para chuva, é o fato de terem sido encontrados durante caminhadas a pé.

Estou com essa mania, passear a pé. Mesmo que a caminhada tenha como objetivo mor ir de casa ao supermercado, sempre acaba sendo um passeio.

Comentei com o Rick o quanto gosto de andar por Pinheiros (perto do restaurante). Tem um monte de lojinhas com coisas úteis e inúteis de construção a conserto de máquinas de costura antigas. Ele me contou sobre uma matéria que leu na Revista da Folha, justamente sobre andar a pé e as coisas que se vê ao caminhar que não enxergamos quando estamos no carro.

Acho incrível o quanto se vive mais profundamente ao andar a pé. Olhares se cruzam, conversas fiadas se formam, amigos se vêem, cachorros namoram.




Pão, Manteiga e Geléia
November 2, 2008, 11:08 am
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Uma deliciosa mania de infância…

Tudo começou com uma das nossas ídas a Portugal nas férias de Julho.

A Fer pediu de café da manhã Pitta com manteiga e geléia.

Lógico que eu fiquei super curiosa (desde quase sempre fui curiosa pra comida!), quis provar a invenção da minha prima.

Aquele pão Sírio (que ela chamar até hoje de Pitta!!) bem fininho cortado ao meio (só mãe mesmo pra ter essa paciência!) com manteiga e geléia de morango foi uma das coisas mais aconchegantes que já provei!

Desde então é minha perdição.

Semana passada teve um café da manhã em famíllia aqui em casa. Foi ótimo, todo mundo leva no bom humor o excessivo espaço que tem no nosso apê (cerca de 50 M²). E com a desculpa desse evento, o Rick me fez um agrado: comprou geléia de morango!

Eu evito comprar, porque são três itens proibidos de se adquirir: manteiga aviação (a favorita do Vovô Paulo, que a Irene proibia com razão nas geladeiras da rua Japão!), geléia de morango (de preferência Queensberry) e pão (esse é impossível de comer um pedacinho só!! – o de hoje foi uma Chalá do Santa Luzia apresentada pela Tia Nica).

Maaaaas já que todos esses ingredientes estavam dando sopa essa manhã resolvi matar a vontade e a saudade da minha prima!

Descobri a pouco tempo que existe um seguimento na cozinha que se denomina de Confort Food (seria mais ou menos comida aconchegante!). Os pratos apresentados e ensinados nesta linha são todos com a intenção de dar aquela deliciosa sensação de conforto e amor (tipo um chocolate quente cremoso no inverno) e de preferência de preparo fácil e rápido.

A representante dessas receitas na TV é a Nigella Lawson, que teve seu livro traduzido e lançado aqui no Brasil recentemente. (NIGELLA EXPRESS, Ed. Ediouro) http://www.nigella.com/