PicNic… PicMe


Queijo Mascarpone
August 19, 2010, 3:55 pm
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Ai como eu queria uma vaca. Queria uma de presente de natal. Pedi pro Ric essa manhã, ele ainda estava meio dormindo, mas respondeu preocupado “Ai meu Deus…”.

Já pensou em quanto queijo eu faria com o leite de uma vaca só minha? Sem falar em todos os outros derivados… Um sonho!

Bem, enquanto a vaca não vem, eu preparo queijo assim mesmo!

Queria queijo mascarpone, que aqui em Portugal nem é tão absurdo de caro quanto em São Paulo, e poderia muito bem ter comprado pronto ao invés de me aventurar mais uma vez no mundo dos queijos. Mas eu pensei comigo, tenho que aproveitar o tempo livre e fazer essas minhas tentativas sem medo de ser feliz.

Foi então que eu tomei coragem e comprei os pacotinhos de creme de leite fresco. Sim, ele é feito a partir do creme de leite.

Olha só como é importante fazer as coisas pra saber o que está comendo. Eu nem ficava com peso na consciência depois de comer um belíssimo pedaço de Tiramissu no Rosmarino, porque afinal, só ia queijo e bolachinhas e café. Tudo verdade, mas mal sabia eu que esse deve ser o queijo mais gordo do mundo!!!

Mas eu tenho que confessar, eu fiz o queijo para fazer uma cheesecake de chocolate, significando que minha memória de “peso na consciência” em questões de doces é bem parecida com a do peixinho Dori.

Blábláblás a parte, eu fiz (claro que teve percalços) e ficou perfeito. Fiquei tão emocionada quando vi que o queijo estava firmando que tive que sair de casa para ser paciente e esperar as 24h de geladeira que ele deveria receber.

Receita:

(original do Baking Obsession)

Ingredientes:

500ml de creme de leite fresco (36%) pasteurizado (não ultra-pasteurizado)

(*aqui em Portugal, usei as natas frescas que só tem 30%)

1 col. de sopa de suco de limão fresco

(*usei o Siciliano que é o comum em Portugal)

Preparo:

Coloque o creme de leite em um bowl e leve ao banho-maria (a água não deve estar borbulhante, apenas com aquelas borbulhinhas pequenas). Aqueça o creme mexendo sempre até atingir 88ºC (cerca de 15 minutos).

Adicione o suco de limão e continue no banho-maria mexendo delicadamente até que o creme fique mais espesso (deve cobrir as costas de uma colher sem escorrer).

Retire o bowl da água e deixe esfriar por 20 minutos.

Posicione um pano de prato fino sobre uma peneira apoiada em um bowl, derrame o creme sobre o pano sem apertá-lo e cubra-o. Leve à geladeira por 24h para firmar.

Rende cerca de 220g (1 xícara) de queijo.



Bolo de Arroz
August 18, 2010, 12:59 pm
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Um bolinho simples, pra comer puro ou com geléia. Pra acompanhar o café com leite ou o chá das cinco.

Comi o primeiro bolo de arroz em uma pastelaria qualquer, ele ali tão singelo, enrolado em papel manteiga com o seu nome impresso em azul (às vezes em vermelho), não prometendo ser nada além do que é. Pedi por curiosidade aquele bolinho que parecia resistir à evolução do tempo e das tentações que apareceram ao seu redor.

Ele é de fato simples, tal qual parece ser. Ele não mente, por isso não decepciona. Macio e delicadamente úmido, acompanha quase tudo a qualquer hora.

Como esse bolo está sempre presente, em todas as padarias, pastelarias, confeitarias e mercados portugueses, achei (minha inocência…) que fosse comum ser feito em casa. Engano meu.

Foi difícil achar a farinha de arroz, e mesmo perguntando para os próprios padeiros, nem eles tinham visto (sem ser em escala de padaria) a tal farinha pra vender. Perguntei a eles se não era costume preparar em casa e, com uma feição vaga, eles balançavam a cabeça em tom negativo.

Enfim, eu fiz e fiquei feliz com o resultado! Pra semana sai mais uma fornada…

Receita:

(original daqui)

Ingredientes:

1 xícara de açúcar

1/2 xícara + 1/4 xícara de farinha de trigo (usei uma francesa T45, que ganhei da Tia Wanda!)

1/2 xícara de farinha de arroz

1 col. de sopa de amido de milho

100g de manteiga em temperatura ambiente

3 ovos

100ml de leite

1 col. de chá de fermento químico

Preparo:

Em um bowl, bata as claras em neve e reserve.

Em outro recipiente, coloque a farinha de trigo, a farinha de arroz, o amido de milho e o fermento. Misture e reserve.

Em outro bowl, bata a manteiga (eu costumo cortar em quadradinhos para facilitar) e o açúcar até ficar cremoso. Adicione as gemas uma a uma, batendo bem a cada adição. Adicione o leite e bata até ficar homogêneo.

Adicione as farinhas e misture com um pão-duro até que esteja homogêneo. Adicione as claras em neve e misture a massa com cuidado até estar uniforme.

Em uma forma de cupcakes (podem ser forminhas para empada), disponha o papel manteiga já previamente cortado em um quadrado de 15cm com as quatro pontas cortadas (formando fendas) de forma que se forme uma base de 3cmX3cm (aqui tem um exemplo). Derrame a massa até quase a capacidade máxima.

Leve ao forno pré-aquecido a 180ºC por cerca de 15 minutos. Estará bom se um palito inserido no centro sair limpo.

Rende 14 bolinhos e, se forem guardados em um recipiente hermético, ficará bom por mais um dia.



Mini Galette de Maçã
August 15, 2010, 9:08 am
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Fiz essas tortinhas para aproveitar o que restou de massa de uma torta que tinha preparado para o almoço.

Ela é simples e rápida, sem frescuras, rústica é que fica linda.

A massa ficou crocante e a maçã molinha e semi caramelada. Foi pra lista das sobremesas favoritas do Ric.

Receita:

Ingredientes:

Sobras de massa de torta (patê brisée)

4 fatias de maçã

2 col de chá de açúcar

pitada de canela

Preparo:

Abra a massa em círculo de cerca de 15cm de diâmetro (no caso, como eu usei rebarbas de uma torta, sobrepus as partes para formar um círculo), coloque no centro as fatias de maçã, polvilhe por cima das maçãs o açúcar e a canela.

Leve as bordas em direção ao centro e pare antes de chegar a ele (cerca de 3cm de borda se formará), formando assim a galette (parece uma pizza, com as bordinhas).

Leve ao forno por cerca de 15 minutos, para a massa ficar crocante e dourada.

Sirva morna e se quiser pode acompanhar com sorvete.

Tem uma boa explicação de como fazer na mão o Patê Brisée no La Cucinetta

Tem um bom video no site da revista Gourmet de como fazer a mesma massa usando um processador.

Também na revista Gourmet, tem um video de como abrir a massa e colocá-la no refratário (ela tira o excesso de massa, e foi isso que eu fiz e usei para essa galette).



Sal e Canela
August 12, 2010, 10:57 am
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O misterioso mundo do desconhecido.

Pra mim, a curiosidade e o medo estão sempre apostando corrida quando chega o momento do novo. Eu quero, mas não sei se vou querer. Mas confesso que a curiosidade é normalmente mais ligeira e eu acabo por atravessar a porta e entrar no desconhecido.

Foi assim com essa massa. Canela pra mim é “tempero” de doce, e eu nunca a tinha imaginado sendo o ingrediente principal de uma macarronada. Aí chegou a curiosidade, será que é bom? E em seguida a dúvida (porque o medo tem varias formas, né?), ahhhh mas e se for ruim, vou desperdiçar?

Aproveitei as sobras da massa que tinha feito para a lasanha durante a visita do Dani e deixei reservada essas tirinhas para a minha descoberta da canela e do sal como parzinho.

Aproveitei que o almoço seria pra 1 naquele dia e testei. Ai que bela surpresa! A sensação que eu tenho quando eu faço alguma coisa nova é a de pular no escuro – nunca se sabe onde vai aterrizar. E a melhor parte é quando eu aterrizo no confortável, e esse foi o caso.

Receita:

(original daqui) (uma porção)

Ingredientes:

100g de massa fresca

1 col. de sopa de azeite

1 pitada de canela

1 pitada de sal

Preparo:

Em uma panela com água fervente em abundância, coloque o macarrão e cozinhe até estar al dente.

Escorra a massa e misture nela o azeite, o sal e a canela em pó.

Coma imediatamente, sem medo de ser feliz!

* Para a massa fresca:

100g de farinha de trigo

1 ovo

Em uma bancada, faça um vulcão com a farinha de trigo e coloque o ovo no centro do vulcão.

Vá desmoronando as paredes do vulcão para o centro aos poucos, e mexendo para que incorpore ao ovo. Faça isso até obter uma massa que se possa sovar.

Sove somente até a massa estar maleável. Então enfarinhe a bancada e abra a massa com um rolo de macarrão. Corte a massa no formato desejado. Se tiver a maquininha de abrir e cortar massa fica ainda mais fácil!

Tem um passo a passo de como fazer sua massa que é ótimo no Dadivosa!



busy day chocolate cake
August 11, 2010, 7:24 pm
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A beleza do simples.

A cada minuto que passa eu confio mais e mais no simples. Porque ele está lá pra mim, simples assim, sem frescura, sem drama, sem máscaras.

Eu acho que a vida chegou a um ponto em que complicamos de tal forma nossas relações com tudo e todos que só um esgotamento total para fazer com que a mente pare, congele, e permita que você olhe a sua volta, respire fundo e finalmente concretize que aquele é só um copo, que só tem água e nenhuma tempestade.

O meu principal aprendizado nesse ano que decorre em Portugal foi eliminar o drama dos relacionamentos. Os portugueses são simples, diretos, francos, duros – talvez um pouco – , mas todos o são, por isso não tem melindre bobo por responder a verdade.

Vou exemplificar. Minha madrinha me convida para ir almoçar com ela. Eu já tinha planejado fazer nada e comer bolo de almoço. Eu respondo com um simples não, muito obrigada, fica pra outro dia. Ela responde: se não lhe dá jeito, venha quando puder. Beijos dos dois lados, fim.

Esse diálogo não condiz com a realidade paulistana, pelo menos a minha antiga. Se respondesse pra quem quer que fosse que simplesmente não me apetecia fazer tal coisa e que deixássemos pra outra oportunidade, sei que seria apedrejada.

Ok, você não quer assumir que é assim tão dramático, mas pense com os seus botões, no silêncio, nem precisa confessar pra ninguém – você FAZ isso. Não permite que o outro já tenha planos (mesmo que seja não fazer nada e comer bolo), não permite o espaço da intimidade do próximo, sem fazer mil questionomentos (mas porquê?, o que você vai fazer então?, o que você vai comer?, blablabla) ou fazer pressão pscicológica (ahhhh, mas você vai fazer isso comigo?, como assim não fazer nada?, isso não é justo comigo!, blablabla).

Isto nos leva às inevitáveis mentirinhas de convívio social. A resposta ao simples convite de almoço será uma peça de teatro, com drama, pedidos de desculpas e falsas promessas de que trocaria tudo para ir a esse almoço. E o que eram pequenas e escassas mentirinhas se tornam verdadeiras novelas mexicanas, e histórias que se entrelaçam e te cercam até você não saber mais o que realmente sente, o que realmente quer e o que faz por prazer e o que faz apenas para evitar a longa cena do não.

Eu quero simplificar tudo. E um bom exemplo de pessoa que simplificou sua vida nos quesitos materiais é a Senhora Zero Waste Home.

Eu quero poder ser sincera com todos que me querem, e poder usar as mentirinhas sociais apenas para as raríssimas ocasiões em que elas são fundamentais para que se possa viver em sociedade.

Nada mais simples que um bolo totalmente feito na própria forma. Nada mais doce que partilhá-lo com queridos. Nada mais rico que isso.

Receita:

(bolo – daqui; cobertura – daqui)

Ingredientes:

Bolo:

1 e 1/2 xícara de farinha de trigo peneirada

1 xícara de açúcar

3 col. de sopa de cacau em pó

1 col. de chá de bicarbonato de sódio

1/2 col. de chá de sal

6 col. de sopa de óleo

1 col. de sopa de vinagre branco (eu usei suco natural de limão siciliano)

1 xícara de água fria

Cobertura:

55g de manteiga sem sal

220g de chocolate ao leite

Preparo:

Bolo:

Pré-aqueça o forno a 180ºC.

Em uma forma redonda de 22cm, coloque a farinha, o açúcar, o cacau em pó, o bicarbonato de sódio e o sal. Misture com um fouet (batedor de aros).

Faça um vulcão com a mistura de farinha, deixando o centro livre. Coloque no centro da forma o óleo, o vinagre e a água. Misture tudo com o fouet até que fique homogêneo.

Leve ao forno por cerca de 30 minutos. Faça o teste com o palito, se o mesmo sair limpo, o bolo está pronto.

Deixe esfriar completamente e então desenforme.

Cobertura:

Coloque o chocolate e a manteiga cortados em pequenos pedaços em um recipiente e leve-o ao banho-maria, mexendo até que esteja completamente homogêneo.

Cubra o bolo já frio com a calda. Pode ser servido assim, ou leve à geladeira para que a calda endureça, e então sirva.