PicNic… PicMe


Pão de Azeite
July 28, 2010, 5:26 pm
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Eu não me sinto adulta. Tinha isso na minha cabeça a tempos. Apesar de já ter feito muita coisa que muito adulto nunca fez, eu não me sinto assim, gente grande.

Pensando nisso, cheguei à conclusão de que não me sinto adulta por não ter me sentido criança ou adolescente. Não sofri uma transição, sabe aquele momento que passamos de irresponsáveis a responsáveis ou inconsequentes a consequentes? (apesar de achar a maioria dos adultos uma certa farsa, pois eles dizem ser responsáveis e consequentes, mas nem sempre isso é confirmado por seus atos, mas isso é uma outra história)

Desde que me lembro por gente (por volta dos 5 anos…) fui preocupada com tudo. Levava consecutivas broncas da mamãe, dizendo que aquilo não era assunto de criança, que não devia estar pensando naquilo. Mas ao mesmo tempo me incumbiam de coisas difíceis, e me tachavam como a compreensiva.

Então pronto, era isso, não me sentia adulta por não ter sido criança/adolecente. Estava aí, precisava fazer coisas de adolecente para preencher o espaço e então poder finalmente me sentir a adulta que sou.

Mas minha cabeça não para, e imaginar situações e me colocar na pele dos outros é uma das minhas insistentes características. Então, me coloquei na pele de uma adolecente comum, assim com vidinha pacata e tudo a favor de que fosse de fato uma despreocupada, irresponsável e inconsequente adolecente. E aí a minha ficha caiu. Nem que eu quisesse conseguiria ser uma dessas meninas. Sou assim e pronto, preocupada, sempre pensando nos outros antes de mim, sou brava, sou indecisa a não ser que precise ser decidida, sou adulta por natureza.

Portanto, cheguei à conclusão de que eu tenho que me aceitar assim. E nada melhor que um belo pão fresco de azeite portuga pra acompanhar tal conclusão. Comi ainda quente, abri com as mãos e barrei a manteiga, comi em pé, na beira da pia. Mais reconfortante que pão feito por suas mãos, só soneca na Bahia.

Receita:

(quase nada adaptado do livro Dough de Richard Bertinet)

(meia receita da original – Rendimento: 2 pães de 20cm cada)

Ingredientes:

250g de farinha de trigo para pães

8g de fermento fresco

5g de sal

25g de azeite extra virgem

150g (ml) de água

Preparo:

Coloque em um bowl a farinha e esfarele com os dedos o fermento entre um punhado de farinha. Acrescente o sal e misture com a mão. Adicione o azeite e a água, misture com a mão até ficar uma bola. Leve a uma bancada SEM farinha e trabalhe a massa segundo o método Bertinet. Forme uma bola levando as pontas da massa ao centro.

*(se quiser usar a batedeira com o gancho, coloque a farinha e o fermento esfarelado na batedeira e ligue na velocidade mínima, então adicione o sal, o azeite e a água e misture por 2 minutos. Eleve a velocidade em um ponto e misture por 6-7 minutos, até a massa ficar elástica e macia. Siga o restante das etapas abaixo.)

Coloque a massa com o umbigo (a parte que ficou com as marcas das pontas que levou ao centro) para baixo em um bowl levemente enfarinhado e coberto com um pano, e deixe crescer por 1h.

Em uma bancada levemente enfarinhada, deposite a massa já crescida. Faça de novo a bola, levando as pontas ao centro. Coloque no bowl novamente e deixe crescer por 30 minutos, coberto com uma toalha.

Coloque a massa sobre uma bancada levemente enfarinhada e divida a massa em duas partes. Com as mãos, forme um retângulo com uma massa. Leve a parte esquerda para o centro e aperte delicadamente. Leve a parte direita sobre a parte esquerda para o centro e aperte delicadamente. Dobre ao meio e una as pontas delicadamente. Repita o processo com a outra metade da massa.

Coloque as massas em uma forma, polvilhe farinha por cima delas e, com uma faca afiada ou uma lâmina, faça três cortes ligeiros no topo das massa. Deixe descansar por 1h, cobertos por um pano.

Em forno pré-aquecido a 230ºC, borrife água por 5 vezes (dentro do forno) e então coloque os pães para assar por cerca de 25 minutos.

(aqui tem outro video do Bertinet fazendo pão, onde se consegue ver bem as dobraduras e o borrifar água no forno!)



Pasta al limone
July 22, 2010, 11:33 am
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A imagem da primeira vez que provei essa massa ainda é fresca em minha memória.

Estava sentada à mesa Sarinen no Guarujá. Lembro do tom amarelado das lâmpadas que inundam aquela sala de madeira, vidro e concreto. Observava quase sem querer, meio em desfoque, o zig-zag das pessoas entrando e saindo pela porta vai-e-vem da cozinha, trazendo cerâmicas coloridas e o aroma do jantar a cada vump da porta. Lembro da Tia Nica em pé, com seus habituais vestidos-túnicas estampados observando e regendo a situação. Lembro da Tia Angela descalça chamando com palmas todos para a mesa, lembro do ar morno daquela viagem.

Agora um clássico dos almoços de sábado na alameda casa branca.

Receita:

150g de massa (crua)

200ml de creme de leite (natas para bater – 35% de gordura)

100ml de creme de leite freco (natas frescas – 30% de gordura)

zest (raspinhas) de 1 limão siciliano (o comum em Portugal)

suco de 1/2 limão siciliano (cerca de 1/4 de xícara)

sal

Preparo:

Em uma panela com água em abundância fervendo, coloque a massa e cozinhe pelo tempo indicado.

Em outra panela, coloque as raspas de limão, o suco de limão, o sal e os dois cremes de leite. Leve ao fogo médio/baixo e mexa constantemente por cerca de 5-7 minutos, até fique mais encorpado, mas não permita que ferva. Acerte o sal e, se achar necessário, o limão também.

Escorra a massa e coloque imediatamente na panela com o molho, mexendo para que o molho envolva a massa toda.

Sirva com parmessão ralado na hora e ótimo apetite!



Clafoutis de cerejas orgânicas/ Clafoutis de ameixas orgânicas
July 21, 2010, 4:09 pm
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As cerejas da feira se tornaram essa sobremesa classica francesa que eu almejava preparar desde a faculdade.

Era suposto ter o dobro de cerejas, mas não resisti à tentação e as comi antes de dar tempo de preparar o doce.

Receita Clafoutis de Cerejas:

(adaptada um pouco daqui e outro pouco daqui)

4 ovos ligeiramente batidos

200ml de leite

200ml de creme de leite (35% de gordura – em Portugal é a Nata Cremosa para bater, de caixinha)

100g de farinha de trigo

175g de açúcar granulado baunilhado (o meu açucareiro tem uma fava/vagem de baunilha antiga)

1 pitada de sal

200g de cerejas sem caroço (usei essa técnica aqui, usando um clips para tirar as sementes pra que não escorresse muito líquido para a massa)

1 col. de sopa de açúcar fino (opcional)

Preparo:

Unte um refratário de 22cm com manteiga. Pré-aqueça o forno a 180ºC.

Em um bowl, coloque a farinha de trigo peneirada, o açúcar e o sal. Adicione o leite, o creme de leite e os ovos e misture tudo com a ajuda de um fouet .

Derrame a massa, que estará bem líquida, no refratário. Distribua as cerejas com o furinho (de onde saíram as sementes!) para cima e polvilhe uma colher de sopa de açúcar fino.

Leve ao forno por cerca de 30 minutos. Retire do forno e deixe esfriar para servir.

Apanhei ameixas na casa da minha madrinha, tantas foram elas que faria três clafoutis dessas com as que tinha em casa.

Clafoutis de ameixas, fiz seguindo à risca a receita do La Tartine Gourmande.



Morangos
July 20, 2010, 7:53 pm
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Há cinco anos visitamos a casa da tia Ana Paiva em Sintra pela primeira vez.

Já mostrei aqui a vista de tirar o fôlego de sua sala, através de um tulipa cultivada pela própria tia Ana.

Mas não foi a vista, nem os lagos, ou o relvado que me marcaram tanto. Foi a horta. Mais que a horta, foram os morangos.

Lembro-me dos dias quentes daquele verão. Vim uma semana antes que o Ric e mais uma vez a tia Ana me acolheu em seu seio e fiquei em sua casa.

Lembro-me perfeitamente dela chegando com o cesto de morangos e anunciando o almoço. Salada de alface e morangos, sua invenção. Sinto como se tivesse sido a cinco minutos a nossa refeição. Nós (tia Ana, Marta e eu) em pé à volta da mesinha redonda na copa da cozinha, recitando a benção e então nos fartando daquela benção de salada.

Antes de nos mudarmos para cá, só pensava nesses morangos, naquela casa, na diversão dessa horta, na liberdade dessa vida, dentro dessa família que eu me sinto parte. E eu tive o privilégio de acompanhar (ao lado da Martuxa e acompanhada de muitos gritinhos e suspiros de ansiedade de ambas) o plantio das mudas, o nascer das flores, os primeiros morangos vermelhos que brilhavam para nós.

Eles são tenros, suculentos, doces e vermelhos. Eles são a perfeita metáfora para o amor que sinto pelos Paiva e pela oportunidade que tive de viver isso.

Esse é um dos lanchinhos que se faz lá, morangos colhidos e flores frescas na mesa com os pratos verdes, vendo o Palácio da Pena. Paraíso.



pordosol
July 15, 2010, 8:39 pm
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o inestimável privilégio de se ver o horizonte.



Ameixas
July 13, 2010, 10:18 am
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Há meses quando cheguei e sentei pela primeira vez na sala da minha madrinha, lhe fiz um pedido: queria ir ver seu jardim.

Entre as laranjas e os limões, duas árvores não mostravam seus frutos. Foi então que meu padrinho contou serem ameixeiras, das vermelhas e muito doces.

Fiquei eufórica, mas só poderia tirar a prova da doçura das ditas no verão, e ainda era outono…

Vi as folhas caírem, as flores brotarem, os frutos substituindo as pétalas, primeiro verdes, depois rosas e então vermelhas. Colhi no pé as ameixas que me arrancaram suspiros.

Meu sonho é ter um pomar e ver toda essa transformação em todas as minhas frutas preferidas, que por hora são quase todas que já comi.