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Salada de Batata-Doce, quem diria.
April 23, 2014, 7:50 pm
Filed under: Salgado

batata doce

 

Papai me disse, quando estava grávida de (o que parecia ser) uns 15 meses: A única regra pra se criar um filho é dar amor.

Manha. Um tema que tinha pensado pouco até agora.

Descobri que todos acham que tudo que um bebê faz que não se encaixe em nenhuma categoria básica (fome/sono) é manha. E manha não é algo que se deva tolerar. Então se deve deixar chorar, ou ignorar, ou negar até que o filho pare de fazer manha.

Eu, no entanto, já penso que na verdade aquele ser está sofrendo grandes e radicais mudanças físicas e intelectuais a cada segundo e que, no mínimo, isso é cansativo e dolorido. Por isso, pra mim manha faz todo o sentido e eu não deixo pra lá não, eu acolho.

Pra explicar pro marido o que eu queria dizer, dei um exemplo de uma situação em um adulto: Você está com um dorzita de cabeça, assim daquela que não mata, mas também não te deixa em paz. Aí vai pegar uma caneta no escritório e não acha, já fica louco da vida (apesar de ter outras opções de caneta lá, você queria AQUELA, e só Deus sabe o motivo), sai pra procurar na sala a tal caneta já emburrado e passa pela tv que mostra os melhores lances dos jogos de ontem. Nesse momento tudo passa. A dor é esquecida (mas continua lá!), a caneta então, nem se fala, pode até usar batom pra escrever no papel que tá ótimo. Pronto, a dor fez ficar manhoso e por isso ficou irritado com a história da caneta, mas algo o distraiu da dor por um tempo e logo a irritação principal se vai. Manha.

Já se fosse um bebê, e ele não tivesse feito cocô ainda no dia e estivesse brincando no chão e, ao não alcançar um brinquedo especifico, abrisse o berreiro, ahhhh não pode facilitar a vida dele não. Isso é manha.

Bem, é claro que é manha, ele tá incomodado e o limite dele é bem curto. E se nós não conseguimos dizer “ai, estou irritado mas não é com a caneta, é com a dor”, imagine só a criança… E dê graças a Deus que ela consegue se distrair facilmente com outro brinquedo ou com uma voltinha na rua, pois isso significa que é apenas um incomodo e não dor das sérias.

Eu passei por bastante dor e tenho que dizer, eu desejava loucamente que alguém (no caso o próprio marido) me distraísse. Que me contasse uma história, que me desse um tricot na mão. Pra tentar fazer com que ela fosse secundária e não o foco do momento. E definitivamente a última coisa que eu desejaria seria ser deixada com o meu desconforto, sozinha, pra que eu parasse de fazer manha.

Por isso eu acho que se todos tratássemos a manha dos outros (adultos e crianças) com mais amor e carinho, a dor de cada um seria amenizada e teríamos mais sorrisos e menos lágrimas.

….

Tenho que frisar que pra mim, manha é diferente de birra.

Birra pra mim é como, por exemplo, o cachorro que sabe perfeitamente onde deve fazer o seu xixi, na área de serviço, mas por não estar recebendo a devida atenção, vai lá e faz no meio da sala.

Birra se trata de outra maneira, mas não sei como, pois não chegamos lá ainda…

Percebi que as palavras são perigosas.

Eu digo “A” pensando que todos vão ler “A”. Mas descobri que um lê “a”, outo lê “ã”, um terceiro lê “à” e ainda tem o que lê “Z”.

Por isso tenho estado temerosa de escrever meus pensamentos. Pois em palavras, eles se tornam ferramentas que podem ser usadas das mais diversas maneiras.

Espero que todos percebam que eu não entendo nada de nada e que aqui são meus pensamentos e que essa é minha maneira de ver e fazer. Não pretendo ofender ninguém que faça diferente e não tenho o desejo de mudar ninguém.

Esse é o jeito que eu faço, que eu vivo, que eu sinto. Mas até eu posso mudar.

……….

A receita é essa, sa Fer que sempre sabe o que está fazendo, mesmo dizendo o contrário.

Batata-doce, limão, pimenta (usei a tabasco), sal e azeite. Como tudo isso tão simples poderia ficar tão complexo e perfeito? Só Deus sabe..






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