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Peanut Butter Cookie – Cookie de pasta de amendoim
November 3, 2013, 7:45 am
Filed under: Doce

Cookie de Peanut butterA crueldade da expectativa. Essa eu enxerguei há pouco tempo.

Foi em alguma situação que me frustrou, nem me lembro qual, que o Ricardo me apontou o motivo de tamanha tristeza com o acontecido. A expectativa.

Ele nem disse que minha expectativa tinha sido grande demais. Não deu adjetivos a ela. Não disse ser alta ou baixa, gorda ou magra. Apenas se referiu à pura presença dela.

Eu claro que debati com fervor. Afinal, expectativas na vida são importantes, temos que tê-las para nos mantermos motivados a continuar a caminhada etc e tal.

O fato é que eu não queria aceitar a verdade. Por que a verdade é sempre tida como luz (que eu até concordo), mas ela vem com a sensação de soco na boca do estômago, pra mim pelo menos…

Ele explicou que existia uma  grande diferença entre esperança e expectativa. E eu tive que viver mais algumas muitas frustrações com essa conversa na cabeça pra começar a digerir a ideia.

A esperança tem um Q de humildade. Você espera pela coisa boa, mas sabe que não tem o poder de definir a situação. Pode até fazer o seu melhor e assim influenciar para que as coisas caminhem naquela direção, mas a palavra final está sempre ligada a algo mais complexo, mais poderoso, mais sábio e maior (muito maior) que nossa parca visão da vida.

A expectativa, na minha opinião, já é mais arrogante. Você diz que está com boas expectativas pra tal coisa, mas no fundo tem o sentimento de que SABE que vai ter o resultado que espera. Que as coisas vão sair da maneira que imaginou, que você sabe o que é melhor e por isso essa é a única maneira de dar certo. Por isso TEM que acontecer assim.

Se só tivermos esperança e a coisa não seguir a direção que tínhamos imaginado, logo nos convencemos de que foi pro melhor, com mais facilidade vemos o lado bom do novo caminho que se apresentou e menos frustrados ficamos.

Pelo menos foi assim que eu entendi. E sempre que me pego com novas expectativas, porque esse é um hábito difícil de tirar – o de me achar conhecedora da verdade e do caminho certo – eu me lembro desses cookies e de mudar da expectativa para a esperança e adicionar mais humildade.

A história dos cookies foi assim, eu estava comendo poucos doces por diversos motivos, então queria um doce perfeito, pra valer a pena a falta cometida.

Resolvi procurar A receita de brownie. Uma combinação de super úmido, cremoso e de gosto intenso.  Pesquisei, pesquisei e escolhi pelas lindas fotos e receita super interessante esse aqui. Afinal, pasta de amendoim e avelã não tinham como dar errado e olha só pra cara lindademorrer desse brownie. Era perfeito!

Eu fiz os brownies. Eu assei, descasquei e triturei a avelã. Eu reli a receita mil vezes pra não ter perigo de errar. Eu comprei pasta de amendoim importada. Eu me esforcei. E minha expectativa era: Não tem erro. Vai sair perfeito.

Bom ele é mesmo, muito bom, muito rico etcetcetc, MAS não tem a textura que eu queria, não tem o sabor que eu procurava e, sim, eu chorei de tristeza ao dar a primeira mordida e quase morrer de decepção. (O choro foi um bônus dos hormônios da gestação…).

E aí eu fiz esses cookies, assim só pra usar o que restou da pasta de amendoim. Fiz quase sem prestar atenção. Fiz, mesmo o Ricardo tendo torcido o nariz para o fato de não levar farinha (porque pra ele, não levar farinha = impossível ser bom esse negócio). Fiz só na Esperança de ter algum doce pra oferecer pras visitas daquele final de semana.

E eles saíram assim lindos demais do forno, mas como eu ainda estava abatida com a história toda, nem dei muita bola.

Enquanto esperava a segunda fornada assar, sentei com meu enorme barrigão de mil meses na banqueta da cozinha, de frente para o forno, e peguei um dos cookies que estavam esfriando na grade em cima da mesa. Mordi displicente. Parei de pensar no que estava pensando. Quase parei de respirar. Foi MARAVILHOSO! Eles eram perfeitos pro meu gosto de cookie. Tinham essa camadinha de crocante por fora e eram cremosos por dentro. Com um super sabor de paçoca, com gotas gigantes de chocolate que derretiam a cada mordida.

E foi assim, com a esperança, que meu desejo se realizou – e não com a expectativa.

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Cookies de pasta de amendoim: (da Dona Martha Stewart, que não deixa nossas esperanças morrerem nunca)

Ingredientes:

1 xícara de creme de amendoim (usei do importado, que faz bastante diferença. Também fiz com o nacional. São dois resultados completamente diferentes.)

3/4 de xícara de açúcar

1 ovo grande, ligeiramente batido

1/2 col. de chá de bicarbonato de sódio

1/4 de col. de chá de chocolate

150g de chocolate meio amargo picado (a receita original pede 3/4 de xícara de gotas de chocolate meio amargo + 1/2 xícara de amendoim torrado, mas substitui assim)

Preparo:

Pré aqueça o forno a 180ºC.

Em um recipiente, misture a pasta de amendoim, o açúcar, o sal, o bicarbonato de sódio e o ovo. Adicione o chocolate picado.

Com as mão úmidas (eu costumo untar com óleo, acho que funciona bem, mas a dica da Dona Martha é molhar as mãos mesmo), faça 12 bolinhas  (cerca de uma colher de sopa cada bolinha) e disponha em uma assadeira forrada com papel manteiga ou silicone.

Asse por 12 a 14 minutos.

Retire do forno e deixe os cookies por mais 5 minutos na assadeira. Então passe para uma grade para esfriarem completamente.

Repita com o restante da massa.






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