Fui incentivada pela Lú a fazer um pão com fermento de verdade e, sem minha super batedeira, resolvi voltar a tentar um dos meus pães favoritos, a Challah.
Pesquisei na internet e achei um blog em que não só tem a receita como também tem um video perfeito que ensina a trançar o pão com seis partes, o que é lindo!
Resolvi fazer essa receita porque a Maya (dona do blog) prepara todas as sextas-feiras para o Sabbath, portanto achei seguro.
Fiquei super feliz quando vi que a receita pedia por 2 pacotes de fermento ativo seco, já que eu tinha em casa por ter usado pra fazer a pizza.
Então fui pesquisar na internet a quantidade em gramas do que deveria conter no pacote que ela usa para comparar com o meu, já que de lugar pra lugar a quantidade varia muito. Foi aí que eu descobri que o buraco era BEM mais embaixo! O fermento que eu tinha era o Fermento Ativo Seco Instantâneo e o que ela pedia era o Fermento Ativo Seco e ponto. Então fui pesquisar as diferenças e, como o pão pedia duas fermentações e o fermento ativo seco instantâneo não foi feito para ficar assim tanto tempo só no preparo, resolvi substituir por fermento fresco.
Foi nesse momento que começou a outra parte da aventura. Depois de muitos cálculos, transformações de libras para gramas, de fresco para seco, etc e tal, cheguei aos valores que imaginava serem os certos.
Bom, pra resumir a ópera, o pão de ontem, se jogado com raiva em alguém, matava! (de tão duro!)
Resolvi repassar minhas contas e descobri que tanta conversão (de línguas e medidas) me deixou confusa e coloquei fermento de menos. Pelo menos serviu pra praticar o trançado!
Mantive a fé e resolvi tentar mais uma vez. Tcharaaaammmm, ficou muito bom!
Dessa fornada saiu muito mais coisa que só um pão.
Descobri que me sinto mais segura para cozinhar aqui por alguns motivos, tais como o tempo e a possibilidade do erro. Estamos sempre em uma atmosfera em que o erro é simplesmente intolerável. Seja nos estudos, no trabalho, na família, no amor, sempre temos que ser perfeitos. O fato é que errar é humano e traz muuuito aprendizado e aperfeiçoamento com ele.
Resolvi fazer um guia pra não me esquecer mais dessas traduções (de inglês para português) e pra facilitar a vida de quem mais estiver com essas dúvidas e poupar tempo de quem não tem tempo pra perder com tanta pesquisa! Espero que seja útil!
Fermentos:
– Fermento fresco / Levedura: com data de validade curta, conhecido como fermento para pão. Normalmente precisa ser “ativado” antes de ser incorporado em uma receita. Fica por alguns minutos em contato com água morna, açúcar e farinha. Dessa forma, o fermento começa seu processo de crescimento. Esse mecanismo não é obrigatório, dependendo da receita a ser executada. Nome em inglês: Cake Yeast ou Compressed Yeast ou Fresh Yeast.
– Fermento Ativo Seco: é a levedura desidratada, por isso deve ser “ativada” (ficar em água morna e açúcar por alguns minutos). Por ser desidratada, é como se fosse mais concentrada que a levedura, por isso tem que usar em menor quantidade comparado com a levedura. Nome em inglês: Active Dry Yeast.
– Fermento Ativo Seco Instantâneo: é o mais forte de todos e não precisa ser ativado, está pronto para o uso imediato. Nome em inglês: Instant Active Dry Yeast
– Fermento Químico: é o fermento normalmente usado para bolos. É uma mistura de bicarbonato de sódio e um agente ácido. Ele entra em uma reação química com o líquido e com o calor, o que faz com que produza bolhas de ar, o que será o fator para que o bolo cresça. Nome em inglês: Baking Powder
– Bicarbonato de sódio: é o agente químico que, combinado com outros ingredientes, formará as bolhas de ar que farão a produção crescer. Ele precisa necessariamente de um ingrediente ácido para que a reação aconteça. Por isso, é comum em receitas que levam limão, chocolate, buttermilk (para se fazer buttermilk em casa, basta adicionar uma parte de vinagre a leite, que será a quantidade recomendada na receita). Nome em inglês: Baking Soda ou Bicarbonate of Soda
Equivalência:
10 g de Fermento Fresco = 3,75g de Fermento Seco Ativo
Fontes:
http://www.breadworld.com/FAQ.aspx
http://www.thefreshloaf.com/node/2815/active-yeast-vs-instant-yeast
http://www.recipezaar.com/library/yeast-62
…
Aqui vai minha receita da Challah:
(adaptada daqui!)
rendimento: 1 challah
Ingredientes:
12,5 g de fermento fresco
1/3 de col. de chá de açúcar
2/3 de xícara de água morna
2 a 3 xícaras de farinha de trigo (+ extra para enfarinhar a bancada)
1 e 1/4 de col. de chá de sal
1 e 1/4 de col. de sobremesa de açúcar
1/4 de xícara de óleo
2 ovos batidos
Para finalizar:
1 ovo
gergelim ou semente de papoula
Preparo:
Em um bowl, coloque a água morna, 1/3 de col. de chá de açúcar e o fermento fresco esfarelado. Cubra com papel filme e deixe em um ambiente sem correntes de ar por cerca de 5 minutos para o fermento “ativar”.
Em um bowl coloque o sal, o açúcar, o óleo e os ovos. Misture tudo com um garfo.
Adicione o fermento e, em seguida, a farinha aos poucos, mexendo com o garfo.
Em uma bancada bem enfarinhada, coloque a massa e trabalhe até que fique lisa (ela ainda estará muito mole. Se tiver uma batedeira com gancho, será bem mais fácil de trabalhar; se não, pode usar o método Bertinet nesse video muito bom!). Passe a massa para um bowl enfarinhado e cubra com um pano, deixe fermentar por 2 horas em local abrigado como o forno ou o microondas.
Em uma bancada enfarinhada, trabalhe a massa por alguns minutos, somente para tirar o ar. Divida a massa em seis partes iguais e faça rolinhos com ela. Entrelace para fazer o formato da challah (aqui está o tal video ótimo!) e coloque em uma forma forrada com papel manteiga e untada com óleo. Cubra com um pano e deixe crescer por mais 1 hora.
Pincele o ovo batido pela trança e espalhe por cima o gergelim ou a semente de papoula (como não tinha nenhum dos dois em casa, deixei sem).
Asse em forno pré-aquecido a 180ºC por cerca de 30 minutos.
4 Comments so far
Leave a comment



Interessante e instrutivo. Claro que nunca vou tentar nada nem próximo disto (apesar que meu leite com chocolate do padre é maraviiiiilhoooosoooo…). Vou confessar uma coisa: não sei quebrar ovos….
Comment by Papito January 28, 2010 @ 2:59 pmEstá liindo seu pão! Viu como não é difícil? E que errar faz parte e só nos faz bem! =) chama-se evolução! hahaha
Ai, as farinhas francesas… sonho com elas! Certeza vai ser uma das minha primeiras compras européias! Ah! provavelmente essa semana já vou saber quando vou.
Não acredito que você tem um Bertinet! Não é lindo?!?! eu sou apaixonada.. Essa semana vou testar um do segundo livro dele, de noz. Deve ser perfeito!
-Já disse que dá vontade de comer seu blog? Ah, e de morar em Portugal também..
Beijo!
Comment by luisa February 1, 2010 @ 8:47 pmah! acho q vc vai gostar: http://aervilhacorderosa.com/
bj!
Comment by luisa February 2, 2010 @ 1:34 pmLu,
Comment by ninacosta February 2, 2010 @ 1:54 pmEu amo esse blog, e fomos visitar a loja dela em Lisboa, muuito linda, mas td super caro!
Olha que sintonia! Obrigada pela dica de qualquer maneira!
bjbj