PicNic… PicMe


Domingo-Feira
November 9, 2008, 1:44 pm
Filed under: Salgado, Uncategorized

Foto tirada pela mamãe!

Fomos à feira domingo passado.

Amo esse programa. Seja lá qual for o tipo de feira (artesanato, roupas, antiguidades, hortaliças e frutas, livro, ciências), tendo aquela explosão de cores e vidas é o que importa.

Durante um almoço, me disseram que as feiras livres é que atravancavam o trânsito de vez, e queriam o fim das feiras. Fiquei chocada e irritada.

Lógico que atrapalha alguém em algum lugar. Quem mora em rua que tem feira tem que ficar com o cheiro de peixe até que o caminhão pipa venha lavar a rua, tem que deixar o carro estacionado em outra rua na noite anterior, tem que acordar com as mais diversas cantadas dos feirantes. Nada no mundo só agrada, muito menos a todos.

Feira é uma mistura de histórias ao ar. O feirante, que madruga e traz as marcas do trabalho visíveis a olho nu nos nós dos dedos. A senhora, que desconfia e confia de tudo, caminha no seu ritmo, um tanto quanto desacelerado em relação ao resto do ambiente. A mãe, que apresenta à criança as cores com a ilusão de convencê-la a comer mais frutas. A empregada, que escolhe com cuidado pra tentar agradar a patroa. A galera que só fica na pontinha da feira, aproveitando o pastel e o caldo de cana.

Sempre gostei, mas comecei a olhar de outros ângulos as feiras quando a mamãe revelou uma foto da senhorinha com seus produtos em volta, em uma feira em Espinho, Portugal.

Os sons, cores e aromas que contornam estas ruelas, que se tranforma uma vez por semana em tal cenário, são poderosos e aconchegantes. Todo mundo se sente em casa na feira. Elogios e piadas. Pechinchas e argumentos. Sacolas coloridas e carrinhos barulhentos.

Gastamos quatro reais nas nossas compras, voltamos com a sacola pesada.

O valor cai conforme a fome aperta no estômago do feirante, hora do almoço. As folhas de papel que marcam o  produto e o valor ficam presas por pregadores a barbantes. São trocadas a cada ronco da barriga. no fim da feira não tem mais nome, só o valor. Tudo a um real.

R$4.00 no fim da feira = 1 dúzia de banana nanica + 1 dúzia de banana ouro + 1 couve-flor + 1/2 dúzia de cenouras.

Domingo passado encontramos a Má e o Beto no restaurante. Eles contaram que agora cultivam no jardim de casa uma horta orgânica, a rúcula foi a salada da vez. Fiquei babando.

Imediatamente me lembrei dos morangos da Tia Ana Paiva. Foi uma semana incrível naquela casa perfeita. Mas os morangos frescos, colhidos ainda naquela manhã são inesquecíveis. Comemos misturados na salada de alface (também da horta delas – os avós que cuidam, me explicou a Marta), invenção maravilhosa da tia Ana.

Um dia quero ter uma, mas não vou conseguir deixar de ir a feira, só pra me energizar. Quem sabe até fazer um intercâmbio temporário pro campo?!

verdinhaspastel de feiraYes, nós temos banana!alhos e bugalhostrès chic

Links pra amadurecer as idéias:

Intercâmbio: http://vidasimples.abril.com.br/edicoes/072/conversa/conteudo_391155.shtml

Faça você mesmo: http://vidasimples.abril.com.br/subhomes/comer/comer_238175.shtml?pagina=2

Cultivado em casa: http://vidasimples.abril.com.br/edicoes/070/mente_aberta/conteudo_294254.shtml



2 Comments so far
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Marina, este gosto por feira você herdou de mim, também. Como eu esperava os domingos para ir à feira ali em Moema, creio que na Arapanés! Gostava de ir sozinho, conhecia o peixeiro e o homem das bananas. Claro que comia um pastel e tomava o caldo de cana, sem saber ainda que viria a trabalhar com açúcar e álcool…Em Portugal confesso que não gostava das feiras dos ciganos, entre as mais famosas a nossa de Carcavelos. Sabia que quase tudo ali era coisa desviada ou falsificada e aquele alvoroço não me animava. Só me lembro de ter ido uma vez para comprar aquele bau verde que está no porão da casa de Amparo e que foi usado na mudança de volta ao Brasil. Mas que havia de tudo, isto havia. Agora, esta foto da feira de Espinho realmente é uma síntese do Norte de Portugal e esta senhorinha tem jeito de ter um espírito superior, acima de nós mortais. As fotos do blog estão muito boas e esta das réstias de alho e cebola, ótima.

Comment by Paulo

Má, amo seu blog por muitos motivos, mas entre eles porque assim conseguimos conhecer um pouquinho mais sobre você, o Rick, a Avelã, a Marrakesh e, ao mesmo tempo, toda a família! Não sabia do gosto do papai pelas feiras, que interessante!
Gosto de feiras por causa do pastel, tenho que admitir, mas concordo com tudo o que você disse, pois além de tudo, a feira representa uma das maneiras ainda existentes de nos agarrarmos a idéia de que um dia, o mundo já foi mais “humano”.
Beijos com muito carinho!

Comment by Helena Costa




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