PicNic… PicMe


Singin’ in the rain
November 8, 2008, 9:20 am
Filed under: Diversos, Uncategorized

Parte I:

Nesta cena clássica, o mocinho dispensa o taxi e decide voltar a pé para casa.

Foi a pé que reencontrei uma lojinha de guarda-chuvas!

Lembro como se fosse ontem da mamãe separando todos os guarda-chuvas que precisavam de conserto. Íamos a pé até a lojinha para arrumar os mais diversos problemas (o cabo tá solto, o velcro tá velho, a estrutura tá enferrujada….).

Passei alguns anos procurando por este lugar. Foi o acaso que o trouxe de volta.

Fiquei pensando, acho que não existe mais isso de arrumar guarda-chuva. Não consigo imaginar as pessoas indo a lojas e esperando a ligação para ir retirá-lo. Acredito que hoje, talvez pela praticidade, talvez por preguiça, talvez por desapego, as pessoas simplesmente compram um novo.

Não sei o motivo, mas amo guarda-chuvas. Começou a muito tempo. Numa das minhas fotos favoritas de infância, estou com o guarda-chuva de ponta de madeira e bonecos de neve como tema (infelizmente não tenho mais, foi roubado com nossa antiga Elba Top).

Foi na véspera do meu casamento civil. A Lena me levou na cabeleireira dela (Lena: – Ahhh, você tem que fazer essa sombrancelha, vamos na Dona Helena que tem um salão aqui pertinho de casa! Já marquei sua hora!)(Nina: eu não discuto!!!!). Íamos conversando, como sempre, sobre mil assuntos ao mesmo tempo sem nunca terminar nenhum deles. Dobramos a esquina da rua João Cachoeira com a rua Tabapuã (andava muito por essas ruas, na outra esquina tem a Cinerama, ía uma vez por semana sapear os novos tecidos!). Foi quando a Lena apontou o salão, mas o que eu avistei foi a micro-lojinha de guarda-chuvas. Foi uma sensação incrível, quase indescritível. Parecia que tinha voltado no tempo. A loja simplesmente não mudou nadinha. Mesmos armários de madeira com vidro no meio para expor as estampas. Fiquei sem fala (isso é quase impossível!).

Entramos na loja. Contei ao senhor que estava atrás do balcão o flash-back que eu tive (o da lena foi mais aos poucos! Ela usa guarda-chuva só pra chuva, ou seja o que o papai deu, com o logo da empresa que trabalhava, tá mais que suficiente). (Senhor da loja de guarda-chuvas: – Com certeza é aqui, estamos abertos a 32 anos).

Foi assim que achei a lojinha que tanto procurava. Ao acaso, andando a pé!

A poucas semanas comprei um modelo lá. De bolinhas brancas. Foi uma realização.

Grecco – Fábrica de Guarda-Chuvas, Sombrinhas e Guarda-Sóis.

Rua Tabapuã, 756 – Itaim Bibi (quase esquina com a João Cachoeira)

Fone:3078-8671 – Fone/Fax: 30782954

sombrinhas

Parte II:

Estacionamos o carro. Resolvemos ir a pé pra olhar as casinhas.

Na verdade, tudo começou a um ano e meio atrás. Não sei o motivo, mas decidi que queria galochas (Welly boots). Estampada e tal.

Contei pra todo mundo. Todo mundo me olhou feio, que idéia de jerico.

(o Rick até tentou, foi até o Glicério comprar umas galochas que eu tinha avistado do carro. Segundo ele o vendedor não se conformava com o objetivo de apenas usar galochas – mas ela trabalha em açougue? então é pra usar no jardim? pra andar de moto? Não é possivel.- )

Seis meses depois, conversando com as Shoushs nos bancos do SENAC, a Có estava contando sobre sua viagem a NY com a madrinha e disse: – Vocês não sabem o que está suuuper na moda lá: galochas com estampas diferentes, tem até da Burberry. Quase tive um ataque. Tá vendooooooooooo? Elas existem!!!

Bem, estava meio distante da minha realidade ir pra NY, e não é que todo mundo ame trazer coisas dentro da mala, muito menos uma galocha! (nem eu traria! aliás eu não trouxe!) (pra não ser mentirosa, o João trouxe pra Isa uma de Londres. Acho que só ele e o Rick pra fazer esse tipo de coisa!).

Um ano depois chegou aqui, por míseros R$350.00. (lá custava uns US$20.00).

Bem, mais seis meses se passaram e eu desisti das galochas (mentirinha, quase nunca desisto desas coisas, mas vamos dizer que deixei pra depois). Estavamos passeando pelas ruas da Vila Olimpia, pertinho do Atelier da Có (aquela que comentou sobre a moda em NY)

Foi quando avistei uma lojinha linda, cheia de coisas xadrez. Entramos. Lá estavam elas, com bolinhas e tudo. Mas…(sempre tem um mas) eram pra criança. O maior número era 32/33 (eu uso 35, só pra constar). – ahhhh moça, posso tentar? – Poooode! (e o Rick me incentivando, como sempre!)

Não é que deu? Fiquei tão feliz! O mais incrivel é que estava na promoção. Minhas wellyboots custaram 1/7 das outras quando chegaram por aqui. Foi perfeito.

O mais incrível é que a vendedora da loja conhecia a Có!

Angelina vai às compras

Rua Prof. Vahia de Abreu, 653.  Fone:38456828

http://www.angelinavaiascompras.com.br

aquarela

Parte III:

A intersecção entre as duas histórias, além de serem sobre artigos para chuva, é o fato de terem sido encontrados durante caminhadas a pé.

Estou com essa mania, passear a pé. Mesmo que a caminhada tenha como objetivo mor ir de casa ao supermercado, sempre acaba sendo um passeio.

Comentei com o Rick o quanto gosto de andar por Pinheiros (perto do restaurante). Tem um monte de lojinhas com coisas úteis e inúteis de construção a conserto de máquinas de costura antigas. Ele me contou sobre uma matéria que leu na Revista da Folha, justamente sobre andar a pé e as coisas que se vê ao caminhar que não enxergamos quando estamos no carro.

Acho incrível o quanto se vive mais profundamente ao andar a pé. Olhares se cruzam, conversas fiadas se formam, amigos se vêem, cachorros namoram.



3 Comments so far
Leave a comment

Verdade! Descobre-se muita coisa andando a pé. Quando eu tinha 16 anos vinha de Santo André para São Paulo para estudar Inglês na Cultura Inglesa da Av. Ipiranga, quase esquina com a São João. Vinha com o trem de suburbio, hoje CPTM e parava na Estação da Luz. Dali até a Cultura era um pulo. A cada aula eu estudava antes o Guia Levy (acho que nem existe mais, agora é só GPS) e marcava um caminho diferente para fazer o retorno para a Estação da Luz. Um dia pela Santa Ifigênia, outro pelo Largo do Paisandu, outro pela 7 de Abril e até mesmo pelo Largo do Arouche. Assim começou meu amor pelo centro de São Paulo, que acabou se consolidando anos depois com meus 5 anos de Largo de São Francisco e mais dois anos na Cargill (Galeria Metrópole, atrás da Biblioteca). Quem sabe hoje que temos uma maravilhosa Biblioteca em São Paulo?
p.s. quanto aos guarda-chuvas, culpa dos coreanos e chineses que vendem por R$ 7,00. Como só funcionam bem uma vez a gente nem se importar de esquecê-los….

Comment by Paulo

Má, adoro o jeito alternativo de ser e viver que você e o rick possuem. Essas welly boots são uma graça e ficam perfeitas em você, mas é claro, usando o guarda-chuva ao mesmo tempo! heheh
Essa felicidade que você teve ao encontrar a loja dos guarda-chuvas, que por incrível que pareça fica ao lado do cabeleireiro que frequento, me fez ver que o mundo dá muitas voltas e, ao mesmo tempo, é muito pequeno, então, inevitavelmente, acabos voltando ao mesmo lugar). O mesmo aconteceu comigo quando andava pela joão cachoeira e caminhei em direção ao meu cabeleireiro, quando olhei para o outro lado da rua, lá estava a casa onde o professor dado dava aulas de escultura para a mamãe, igualzinha, como sempre foi, parecia ter parado no tempo.
Concordo, caminhar é bom e, ainda por cima, mais rápido do que se locomover de carro graças ao trânsito deste mundo! Beijossssssssss

Comment by Helena Costa

[…] peguei minhas galochas dadas de aniversário pelo Ric (já comentei sobre essa aventura por aqui) e fomos ao […]

Pingback by Jardineiro Fiel « PicNic… PicMe




Leave a Reply

Please log in using one of these methods to post your comment:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s



%d bloggers like this: