
Pasta, massa, macarrão, tanto faz o nome, todo mundo sabe a deliciosa sensação que traz.
Ando usando pouco das horas, nunca sei exatamente. Sei que estávamos entre nove e onze da noite, já é suficiente.
De tempos em tempos minha cabeça fica superlotada.
Foi para acalmá-la que preparei uma pasta ao creme e limão siciliano. Receita típica dos almoços de sábado na família Amado.
Ingredientes:
4 ninhos de Pasta
água para cozinhar
1 e 1/2 xícara de creme de leite fresco
raspas de limão siciliano
suco de 1/2 limão siciliano
sal a gosto
Preparo:
Ferver a água. Acrescentar a pasta. Mexer de vez em quando.
espremer em uma frigideira o suco de limão e fazer as raspas. Acrescentar o creme de leite e o sal. Manter em fogo brando.
Quando a pasta estiver al dente (durinha por dentro, molinha por fora), escorrer. Colocar a pasta no molho e saltear por alguns segundos.
Servir em seguida com as raspas.
PS: o Ric comeu uma vez no Capim Santo essa receita (mais ou menos!) só que ao invés de siciliano o limão era tahiti, não foi aprovado. A acidez do limão tahiti impreginou o prato. Mas pra quem quiser tentar….


“Tudo Depende De Como Você Vê As Coisas” – Li esse livro há dez anos.
Foi numas férias entediadas. Peguei no quarto da Lena porque gostei da capa, ela ama a Cia. das Letras. Foi uma revelação.
Um livro incrivelmente realista em forma de história lunática infantil.
De fato, tudo depende de como vemos as coisas. Isso não é segredo pra ninguém (o copo sempre está metade cheio ou metade vazio!), mas apesar da consciência desta divergência de olhares, poucos realmente fazem o exercício de visualizar o mesmo acontecimento de diversos ângulos.
Normalmente, o pessimismo impera na nossa visão da realidade. Normalmente, a vista só desembassa quando algo realmete ruim nos é apresentado (não necessariamente um fato que ocorra em nossas vidas, pode ser na história alheia que nos é exposta).
Foi sexta-feira a última vez que presenciei isso acontecendo.
Estava trabalhando e a Tia Angela subiu ao escritório meio atordoada (ela anda nervosa com a crise e tal, quem não anda?), mas perguntei o que tinha acontecido. Ela disse ter ficado chocada com o fato que o cliente acabara de lhe contar: Ele perdeu um filho. Vi em seu rosto o alívio de ter seus dois sãos e salvos e o pensamento de que a conta bancária positiva não era realmente o que fazia (ou deveria fazer) seu humor estar bom. Passou.
…
Fomos ontem ao Shopping FEVER (temporada de descontos) na MiCasa, loja com coletânea de móveis de desing inacessíveis ao nosso bolso.
Aproveitamos para conhecer a loja, que tem uma arquitetura fantástica, e babarmos um pouco nos móveis!
Tudo lindo, mas o mais incrível foi a vista da loja. No último andar tem um deck que dá um panorama do bairro.
Foi a primeira vez no dia que avistei como tudo realmente depende de como se vê as coisas. Pior, de como se aproveita as oportunidades.
Duas casas geminadas do outro lado da rua apresentam exatamente o que quero dizer. Saber aproveitar bem o que temos é uma arte, a inutilização de parte disso é um pecado. Queria saber o motivo de só uma das casas fazer bom uso da laje de cobertura.
Não fizemos nenhuma aquisição (óbvio).
Fomos almoçar em família.
A caminho do Integrão, Rick e eu vimos, quase ao mesmo tempo, um achado. Ficamos babando: “Fica pra depois do almoço, é do outro lado da avenida”.
Almoçamos e voltamos à casa, quase destruída, na Rebouças.
Um ferro velho de preciosidades. Portões antigos, cadeiras, pias, gaiolas, esculturas, luminárias, esquadrias, tudo ou quase tudo que se pode imaginar. Lindo.
Compramos luminárias. A cara da casa da Tia Nica, logo a nossa cara. Se elas estivessem limpinhas, poderíamos contar que foram adquiridas na MiCasa.
Fiquei obvervando o espaço enquanto o Rick vasculhava mais de perto. Tinha lá mais dois possíveis compradores de objetos. Eles nos olharam com curiosidade. É incrível ver que existem pessoas como nós, que enxergam a beleza em peças nesse lugar, mesmo que ainda precisem de retoques e ajustes.
Tudo depende de como se vê as coisas. É preciso apertar os olhos e abrí-los (tem que ser de uma vez, como entrar em piscina gelada) para as possibilidades que temos a nossa volta. Enxergar as possibilidades e ter coragem de fazer o diferente é fundamental para uma vida mais profunda.
Infelizmente, as pessoas só tem “momentos” dessa visão. Logo balançam a cabeça pra os olhos voltarem ao normal. Nublados.
Acho que foi mais ou menos essa a mensangem de Ensaio Sobre a Cegueira. Acho que Saramago quis mostrar isso. Acho também que quase ninguém enxergou. Acho que ainda tenho que apertar bem os olhos e abrí-los de repente muitas vezes, acho que vai ser pra sempre. Acho que tem que ser em todas as situações. Somos únicos. Somos Todos iguais.
Temos luminárias novas, e com gostinho de “Foi o Rick que as recuperou”!






