
Amo papel de presente.
Infelizmente, aqui só encontramos em geral os horrorosos.
Se quiser alguma coisa com arte, no estilo Papelera Palermo (ai que saudades!!!) que desenvolve e imprime manualmente todas as folhas para tal fim, por aqui tem a Papel Craft, mas já tem um ar meio industrializado, ou uma na Rua Natingui, aqui na Vila Madá, o Atelier Luiz Fernando Machado, que é uma mistura entre Papel Craft e tentativa receosa de Papelera Palermo.
Esses que eu amo são bem mais baratos que os citados acima. São vendidos em rolo mesmo, nas lojas Americanas! Tem cara de industrial importado, um papel meio tecido, meio plastificado, mas com cores fortes e desenhos mimosos.
Vou dar aquela caixinha que eu fiz de presente par a minha amada fono, e resolvi usar um desses papéis.
O embrulho ficou meio desengonçado, mas o que eu gostei mesmo foi da flor de papel que eu fiz com o retalho que tinha sobrado!
Simples: segurando com do dedos o centro do retalho, é só ir amassando pra trás as bordas da folha. Grampeei o centro e, com uma fita dupla-face, colei no cantinho do embrulho!

Foi pra tentar acalmar minha ansiedade que comprei a caixa com mil folhas para dobrar mil tsurus.
Próximo ao casamento. Regime. Muita gente palpitando na minha vida. Só mil tsurus pra me distrair da realidade.
A querida Mônica Rezende, ao preparar as flores do casamento na casa da Tia Nica, achou (não sei como) os meus tsurus, e usou de enfeite na porta de entrada – amei.
Durante os cumprimentos, o Ricardo Levy (eu nunca tinha o visto na frente, por tanto só fiquei sabendo que ele era ele alguns dias depois), me deu um beijo e ficou maravilhado com os passarinhos. “Quem fez?” “Fui eu” “Nossa, como você aprendeu?”"Uma longa história, depois te conto”. Isso com mais mil pessoas na fila dos cumprimentos, esperando para aproveitar a festa.
Realmente não é uma história curta, muito menos para a hora da fila dos cumprimentos aos noivos.
A última vez que eu tinha feito parte das pessoas que esperam os cumprimentos foi na missa de 7º dia da mamãe. Foi bem diferente. Sete anos depois, eu estava aguardando as mensagens de felicidade, ao invés das de compaixão.
Foi em uma das férias de Julho que eu aprendi a dobrar tsurus. Foi em uma das férias de Julho das que passei com a mamãe no hospital, fazendo companhia, distraindo a nós duas com as artes que a salinha do corredor pouco nos proporcionava. Sala do convivio é o nome. Meio morta a tal sala, já que médico que é médico quase que tem medo de artes como forma de auxílio a melhora do paciente, afinal ele estudou pra aplicar injeções, e não pra incentivar dobraduras. Burros ou inseguros, não sei.
Uma das pacientes, de origem oriental, montou um cartaz, com o passo-a-passo da famosa dobradura.
Segundo reza a lenda, uma menina de Hiroshima, com câncer terminal, quase chegou nos mil Tsurus, pássaro da felicidade, mas faleceu antes. Por isso, quem completa mil tem um milagre a esperar.
Fiz a caixinha quase inteira, com as cores mais lindas que eu já vi. Meu casamento foi todo branco e lilás. Óbvio que o lilás era a última cor da caixa de folhas pra dobradura. Fiz até o lilas. Parei no meio dele. Não realizei os mil. Pra mim, o milagre já estava se concretizando. Estava feliz, me casando.
Foi agora, nas vésperas do primeiro aniversário de casamento, que peguei as últimas folhas do pacote. Não terminei ainda. Não é por falta de tempo, não é por nenhum motivo racional. Simplesmente ainda não é a hora. Vai chegar o momento. Tem que ouvir lá dentro.


Já queria aprender essa técnica de decoupage há um tempão.
A Fêfê sempre fazia quadrinhos e a Tia Ana tem vários espalhados pela casa.
Foi esse feriado, com um milhão de pessoas em Amparo, que eu peguei a Fê pra ensinar como se faz caixinhas fofas.
Não foi o melhor timing, afinal estava toda a família reunida, todos querendo confraternizar, crianças correndo, chorando, comendo, e nós lá, tentando alguma paz pra colar, cortar, rasgar e finalizar as nossas caixinhas. Mas o Q da questão está no fato de eu estar querendo realizar mais meus projetos. Esses remedinhos atroposóficos estão fazendo milagres por mim. Meu Pensar, Sentir e Agir (faz parte da teoria da Antroposofia!) estava empacado no sentir, por tanto, queria há muito fazer as tais caixinhas, e agora com esse empurrão das gotinhas mágicas, tcharam!!!!
Convenci a Lena de que ela também queria muito aprender e lá fomos nós, na Tóquio, loja em Amparo com tudo pra cumprir a tarefa.
A Lena ficou maravilhada com essa loja. Ela só repetia: “É a 25 de março, mas com tudo no mesmo lugar e sem muvuca, amei!”. Realmente, tudo baratinho e organizado. De ítens pra crochet e tricot a todas as tintas e colas pras mais variadas técnicas de acabamento.
Depois de horas tentando nos decidir por quais guardanapos, ou se usariamos caixinhas, bandejas ou porta alguma coisa, finalmente voltamos equipadas pra casa.
Montamos nossa aula na sacadinha da rede. Foi uma delícia!
A minha primeira caixinha ficou meio bizarra, mas a segunda acho que melhorou! A Fê (prima-professora) escolheu uma combinação que ao olhos leigos era beeeeeeeeeeem difícil de ficar linda, mas como boa mestra, ficou a melhor. Todo mundo queria saber como ela visualizou todo aquele potencial nos kanji, rosa e vermelho, com leques verdes por cima!
Ainda tenho que melhorar muito. Teoricamente não se deve deixar essas “estrias”que ficaram entre o guardanapo e a caixinha, mas entre sobrinhos e churrasco, acho que até ficou bem boa!
Ps: Coloquei um monte de Tsurus na caixa, o Ric detesta caixa vazia!


Passo-a-Passo de Caixinha Decoupage:
Materiais:
1 caixinha de MDF (madeira)
1 pincel
Cola branca
Guardanapos decorados
Água
1 potinho/tubinho de tinta acrílica branca
Passo-a-passo:
Pintar a caixinha com a tinta, por dentro e por fora (se quiser lixar um pouco a peça antes, também fica bom, pro acabamento final ser bem profissa!). Esperar secar completamente.
Pegar o guradanapo decorado e separar as folhas dele (cada guardanapo tem três camadas, tipo papel-higiênico com folha simples ou folha dupla, então, esse tem folha tripla!), só se usa a mais colorida. Cortar do formato que desejar ou usar a peça inteira. (exemplo: Se for um guardanapo de folhas, pode usar todo para cobrir a caixinha ou apenas recortá-las soltas e fazer uma colagem, misturando com o fundo, que pode ser de qualquer cor que desejar).
Em uma bandeijinha, misturar a cola branca com um pouco da água. Apoiar o recorte do guardanapo na caixinha e passar a mistura de cola+água por cima do guardanapo com o pincel, bem devagar, com muita paciência pra não rasgar a folha! (sim, a cola se passa por cima, diferente de todo o resto. A folha é tão fininha que a cola passa por ela!).
Feito isso em todas as faces que pretende decorar, é só esperar secar.
Passamos mais uma camada da mistura de cola+água em toda a caixinha pra dar um brilho extra!
Prontinho, agora tem mil variações. Pode finalizar com gliter, tinta pra relevo, betume, fazer mais sobreposições de recortes, mudar as tintas, fazer pátina antes da colagem… Infinito mesmo.

Nunca encontrei um marcador de livros que realmente gostasse.
Finalmente voltei a ler. Devorei um livro em algumas horas da semana passada. Já comecei outro.
Foi tomando café na padoca que eu vi, do lado do caixa, os marcadores de livro de anúncio. Pensei então em “embalá-los” com tecidos bonitos.
Como tinha revirado minhas sacolas de tecidos a poucos dias, estava com todas as estampas dançando na minha memória.
Cheguei em casa, peguei o papel, cortei o tecido (seguindo a mesma idéia das caixinhas de papel), colei, deixei secar, colei, deixei secar, deixei descansar por algumas horas sob uns livros pra ficar retinho e tcharam, meu lindo marcador de livros!

Meu não, da Lena. Fiz com a estampa que usei pra fazer a mantinha de TV dela, tinha que ser dela, mais ávida leitora dos últimos tempos na família.
Já fiz um de Chita e agora quero fazer um de mais mil…
Quero ler mais livros, quero dar mais marcadores, marcadores de páginas, de passagens, de carinho.
