PicNic… PicMe


Our Very First Meal in Our Very Third Home
October 14, 2009, 6:12 pm
Filed under: BlaBlaBlá, Brainstorm, Hmmmmmmmmmm

Salada verde com queijo de cabra tio frescal

Incrível pensar que este é nosso terceiro lar em apenas um ano de casamento.

No meio destas mudanças todas muita coisa aconteceu, coisas tão grandes que caberiam em uns 20 anos de casamento tradicional. Mas não somos tradicionais, no sentido do óbvio, lugar comum e tal.

Muito aprendizado, muita felicidade, muito caminho ainda por percorrer.

Esse meu texto é assim tão intenso pra mim, que nem sei que frase digitar primeiro. As palavras brotam na mente e o coração palpita, como se todas as verdades fossem ser vividas mais uma vez. Sejam boas ou ruins, os sentimentos estão ali, vivinhos.

Sonho com esse meu novo por do sol há anos, pelo menos cinco. Queria tanto ter essas ovelhas como vista e essa oportunidade de ser vista, que quase me sufoquei e quase desisti desse sonho. Mas, como quase tudo na minha vida, o meu desejo vem muuito antes da hora certa. Paciência. Acho que é esse o meu aprendizado.

Tenho essa dificuldade de pegar o bonde andando. Gosto de começar do começo. Assim, no colégio, se eu não pegava o ritmo da aula no início do semestre, pronto, ficava toda perdida, sem achar a ponta do novelo que parecia cada vez mais embolado. O Ric me disse ontem “Aqui você pode começar do começo de novo”, me deu medo, aquele friozinho na barriga de primeiro dia de aula, me deu também felicidade.

Sou meio 8 ou 80, ou muito decidida ou completamente indecisa. Pra melhorar esse equilíbrio, estou tomando minhas super gotinhas da Antroposofia. E às vezes me falta aquela confiança de que sou mesmo capaz.

Na faculdade, quem mais me ajudou a dar aquele empurrão foi o Valinhos. Vivia no meu pé. “Já fez carne de porco? Não. Então é hoje!”, “Prova antes de me mostrar, cadê o sal?”, ” Você comeu o scargot? NÃO?! Tem que provar, tá aqui pra isso, vai, toma!”. Agora tomei coragem e resolvi tentar a cozinha. Fui pra esse ramo por ser algo simplesmente natural e prazeroso pra mim, mas me perdi no meio do caminho. Agora, com a voz do Valinhos no meu ouvido e o incentivo do marido (vamos todos os dias ao super! coitado!), resolvi tentar, tentar ser eu mesma e ver no que dá, afinal tenho ovelhas como paisagem, tudo pode acontecer.

Nossa primeira refeição em nossa terceira casa foi bem simples, assim como o Ric gosta.

Salada com Queijo de Cabra fresco, crutons e bandas de maçã

Pasta a bolonhesa

Salda de Alface com croutons caseiros e queijos de cabra frescalPasta a Bolonhesa

Lista Agregada

* SEMPRE contrate uma empresa de mudanças, mudar sua vida em um Fiesta não vale o esforço!

* Existe gente boa no mundo, que além de te emprestar a casa e o fogão, te ensina a fazer uma horta.

* Existe gente invejosa no mundo. Como não entende essa bondade alheia, acaba julgando. Ohh coisa feia.

* Não ter telefone fixo ou Tv são as melhores coisas do mundo. Fui mais feliz assim.

* As pessoas em geral não te ouvem, você pensa que está em um diálogo, mas é mesmo um monólogo. (O “diálogo” a seguir foi repetido inúmeras vezes com as mesmas pessoas: “- Você viu na novela ontem o cabelo da XXX? – Não, não tenho TV. – Acho lindo aquele tipo de cabelo. Você não acha?)

* Olhe pro céu. A Lua e as estrelas são presentes divinos que nos enchem o coração de felicidade.

* Pause para um chá.

* Pão na chapa do Oliveira servido pela Geisa está entre uma das melhores coisas que já vivi.

* Ter um jardim, rir com os pássaros, cultivar uma horta. Essas são as minhas metas de vida.

* Exerça o desapego material. Você não precisa de tudo o que tem, e emprestar ou doar o que está sobrando faz um super bem!

* Sonhos se realizam. Acredite.



Equilíbrio
September 3, 2009, 7:19 pm
Filed under: BlaBlaBlá, Brainstorm

Marra 1Marra 2Marra 3Marra 4Marra 5Decidir.

Coragem.

Ouvir a si mesmo.

Equilíbrio.

Visualizar o objetivo.

Atalhos. Nem sempre o caminho para o desejo é o mais provável ou fácil.

Agir.

Drible.

Apreciar a conquista.

Fazer por instinto não quer dizer fazer sem pensar. Ouvir sua voz interior é agir com consciência. Os outros não te ouvem, fazer o que te ditam é não seguir sua voz, logo as certezas são incertas, a coragem é duvidosa, o objetivo é obscuro, a conquista não é sua. Ouça a ti mesmo.



Ipê
August 20, 2009, 8:44 am
Filed under: BlaBlaBlá, Brainstorm

IPê Rosa e Maritacas Apaixonadas e-mail

Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras…



Lua, Espada Nua
August 20, 2009, 8:40 am
Filed under: BlaBlaBlá, Brainstorm, Photo..Shop

lua na casa do bosque entre folhas

O Ric assubiava essa música enquanto lavava os pincéis. Foi assim que conquistou-me.

Luiza

Lua,
Espada nua
Boia no céu imensa e amarela
Tão redonda a lua
Como flutua
Vem navegando o azul do firmamento
E no silêncio lento
Um trovador, cheio de estrelas
Escuta agora a canção que eu fiz
Pra te esquecer Luiza
Eu sou apenas um pobre amador
Apaixonado
Um aprendiz do teu amor
Acorda amor
Que eu sei que embaixo desta neve mora um coração
Vem cá, Luiza
Me dá tua mão
O teu desejo é sempre o meu desejo
Vem, me exorciza
Dá-me tua boca
E a rosa louca
Vem me dar um beijo
E um raio de sol
Nos teus cabelos
Como um brilhante que partindo a luz
Explode em sete cores
Revelando então os sete mil amores
Que eu guardei somente pra te dar Luiza
Luiza
Luiza
Composição: Tom Jobim e Vinicius de Moraes
Lua Casa do Bosque

Essas fotos foi ele quem tirou, uma noite de lua iluminada na nossa casa.



árvorenachuva
August 6, 2009, 8:50 pm
Filed under: Brainstorm

Arvore na chuva

Às vezes não damos valor para os nossos abrigos, mas às vezes precisamos alçar vôo e sermos nós mesmos.

As escolhas devem ser individuais, os julgamentos são pesos colocados nos ombros alheios, na tentativa covarde de tirar o próprio peso da liberdade.

O que um considera pouco, outro considera tudo. Cada qual com suas medidas. Respeito. Apreço pelo diferente. Direito a escolha.



Limão Rosa
July 24, 2009, 9:39 am
Filed under: BlaBlaBlá, Brainstorm, Hmmmmmmmmmm, Last Minute

Jarra de Suco de Limão Rosa

Limão Rosa, foi o nome que o vendedor da banquinha de legumes e frutas orgânicas me passou.

Ele de rosa só tem o nome, na verdade é laranja, o meu laranja favorito: aquele com cor de sol poente.

Amei a idéia de um limão novo e comprei logo uma bandeijinha com cinco dos tais para provar no singelo café da manhã seguinte.

Café discreto e tranquilo em casa, para por o papo em dia e relaxar dentre as árvores do meu jardim.

Fiz os cupcakes que o papai tinha reclamado não provar, e fiz um suco natural, como ele sempre gosta de ter na mesa de desjejum.

O Ric, por pura curiosidade, já tinha tirado uma tampinha do limão pra testar seu sabor. Curioso mesmo é que ele adora suco de açúcar com um pouco de limão, ou seja, seu veredito – de que o limão era muuuuito azedo – já era esperado. Tentou convencer até os animais a provar, em vão, é obvio!

Minha primeira surpresa com o limão foi logo ao partí-lo ao meio. Ele tem os gomos no formato de mexirica, bem diferente de limão Tahiti ou Siciliano. A cor é impressionantemente linda e apetitosa.

Na hora de espremer veio a segunda surpresa: muito fácil de fazer, e com sementes. Agora sim, definitivamente mais uma mexirica do que um limão.

O suco ficou lindo, coloquei um pouco de água e deixei sem açúcar, para que cada um pudesse ajustar a doçura a seu paladar.

Mais uma vez, o Ric não aguentou de curiosidade e provou o suco antes dos outros chegarem. Caras e bocas a parte, o suco foi impetuosamente desaprovado.

Bem, todos chegaram e eu apresentei o suco. O Ric fez o alerta. Papai e Rapha foram corajosos assim mesmo.

A careta do papai foi impagável. Misto de brincadeira e verdade, acrescentou açúcar sem dó (ele está de regime, só pra constar). Em seguida, veio a explicação do especialisata em laranja:

“Esse limão é pra temperar salada, chama limão-vinagre. É ótimo, pra temperar salada.”

Foi só depois de todas as análises, críticas e risadas que eu resolvi provar o limão rosa.

Definitivamente único. Deve ficar muito bom pra temperar salada, mas amei como suco. Não é para o paladar de qualquer um, tem que ter paciência e perspicácia para apreciar tal acidez.

Tudo começa pela aparência subjulgada. Aquela cor de laranja sol provoca uma falsa impressão de doçura, o que leva à primeira decepção. Decepção causada por um julgamento sem fundamento, afinal o suco é de limão, o que logo diz “azedo”. Ainda com o sumo na boca, um misto de “não é tão azedo assim” e um “mas é mais acído do que o esperado” se intercala com um sabor sutil de limão-mexirica único.

Afinal, com um pouco de açúcar e muita atenção, me pareceu um suco primoroso e especial.

Chegei à conclusão, enquanto diminuia as fotos no PhotoShop, que esta é a minha perfeita metáfora.

Cheguei à conclusão, ontem no carro, que tenho sido uma pessoa mentirosa. O Ric tentou me corrigir e acredita que tenho sido apensa distante da realidade, mas para mim, tenho mentido. Mentido para mim mesma e para todos a minha volta.

Eu sou uma pessoa doce e ácida ao mesmo tempo. Entretanto, como a maioria não sabe lidar bem com a acidez, logo a confunde com mau-humor, rabugentice, encrenquice ou chatice, quando na verdade é apenas acidez, o que não é necesáriamente negativo, afinal, um bom vinho deve ter uma acidez equilibrada para ser considerado bom. A falta ou o excesso dela o torna inferior em qualidade.

Tenho omitido essa minha acidez, com o objetivo de me tornar mais “amável” aos olhos alheios, quando na realidade, são os outros que não querem lidar com as minhas verdades ditas, que incomodam e trazem um clima quase “chato” à mesa.

Sou como o limão-rosa. Tenho a aparencia doce, mas cuidado, tenha atenção, sou ainda assim um limão.

Tenho me queixado da falta de atenção dada às minhas falas. Raramente uma pessoa pára seu pensamento e me escuta.

(Segundo a Tia Ana Paiva, não é por acaso que existem duas palavras para expressar a audição: Ouvir e Escutar. Elas têm uma tênue diferença. Ouvir é simplesmente usar o orgão auditivo. Escutar, no entanto, é prestar atenção ao que está sendo dito a você).

Posso ser doce ou azeda, mas sou exatamente o que sou. O limão rosa, muito dificilmente, é uma fruta que se possa aprender a gostar. Ou se tem estômago pra isso ou não tem.

Pra resumir a ópera, prestar atenção a todas as partes de algo apresentado a você é fundamental. A nomenclatura, a textura, a coloração, o sabor inicial e o que fica depois de engolir, a sensação final.

Isso, na minha opinião, vale também para as pessoas, que são por natureza mutantes.

Me pergunto o motivo de um ser humano ser capaz de apreciar todas as características de um vinho, estudá-lo e ainda compreender as fases de sua maturidade e as mudanças que ocorrem em função disso, e não conseguir fazer o mesmo com relação a outros seres humanos.

Sou um limão rosa, já fui mais limão, agora ando só no rosa. Preciso ter coragem de mostrar que sou os dois, limão e rosa. Preciso confiar que as pessoas são capazes de me apreciar, mesmo com caracteristicas tão singulares, que podem ser um tanto indigestas.

Limão Rosa



I’m a Barbie Girl
July 16, 2009, 4:53 pm
Filed under: Beauty Day, BlaBlaBlá, Brainstorm

Nem sei por onde começou, aliás, acho que começou do meio, esse meu interesse pelo mundo da beleza.

maquiagem

Sempre vi a Lena lendo por horas os rótulos de produtos de beleza mil em farmácias e afins. Cresci com a Irene testando todos os tipos de mousses e o que mais tivesse disponível para dar mais volume aos fios dourados pelas luzes, fora as horas de bobs na cabeça, preparação para as noitadas.

Tem uma frase que a Irene falou uma vez em Amparo que me marcou muito, engraçada e realista ao mesmo tempo. Ela estava com os tais bobs na cabeça e foi abrir a porta da frente da casona pra a amiga entrar, eu fui atrás só pra bisbilhotar. Ela abriu bem devagarinho. Como não tem olho-mágico nessa porta de mil anos, ela olhou pela porta, tentando se esconder ao máximo, pra verificar se a pessoa que tocou a campanhia era de fato a tal amiga. Foi quando a menina atravessou a porta e finalmente a Irene a fechou, que ela soltou a tal marcante frase: “Meu Deus, como vou conseguir me arrumar pro meu futuro marido (apertando os bobs bizarros na cabeça!) com ele em casa?” – Achei demais a preocupação dela!

Enfim, entrei nessa fase graças a uma vontadezinha antiga + insistência da Helena + lembranças engraçadas da Irene + Blog da Fê, que me levou ao blog Dia de Beauté, que me apresentou à Kiehl’s, que me levou ao paraíso com sua máscara facial de argila para peles oleosas.

Juro que acreditava pouco em produtos em geral. Sempre tinha dúvidas se realmente funcionava. Nunca tinha certeza se meu cabelo estava realmente mais volumoso com o shampoo especial, que minha pele estava hidratada como deveria, que as lentes estavam bem lavadas, que o fixador do perfume realmente fixava o cheiro bom, etc e tal. Tudo mudou depois de 50 minutos com essa máscara no rosto.

Foi num final de tarde qualquer que resolvi testar meu mais novo investimento. Espalhei direitinho, seguindo instruções da atenciosa vendedora da Kiehl’s do Iguatemi (detesto vendedora de cosmético que quer te empurrar todos os produtos da loja, dizendo que só assim minha aparência vai ficar boa) e esperei. Essa é uma máscara que pode ser usada durante o sono, ou seja, você vai dormir com pele de plebéia e acorda com pele de rainha, simplesmente tudo de bom. Mas como sou meio ansiosa, resolvi fazer o teste de pouco tempo (a outra alternativa de uso da máscara, não foi da minha cabeça não!). Depois que eu lavei o rosto com água morna, juro que fiquei chocada com a diferença da textura da minha pele!

Como eu achei que estivesse sofrendo de alucinações, corri pro Ric assim que ele chegou e apresentei minha nova face! Ele me elogiou com uma frase típicamente cômica: “Uauuu, parece pele de golfinho!”

Paralelamente à máscara, estão os outros produtos para todas as outras partes do corpo. São infinitos. Esfoliante para os pés, cera para hidratar as cutículas e unhas, gel de limpeza facial, tônico facial, hidratante facial (essa é a ordem dos três produtos diários orbigatórios, aprendi na semana passada!), protetor solar especial para seu tipo de pele (aliás, tudo tem que ser de acordo com o seu tipo de pele, outro detalhe importante), creme corporal para hidratar durante o banho, demaquilante para os olhos, massagem para pé de galinha, esmaltes, pinças, espelhos, sombras, bases, pincéis, …………………………………… simplesmente infinito.

Estou amando me amar mais. Esse cuidado todo comigo me faz parar e pensar mais em mim. Isso era raro, isso é fundamental. Não posso e não quero mais me deixar pra segundo plano, em todos os sentidos possíveis.

Massagear os pés é também massagear o Ego, o que me deixa mais irradiante e com mais disposição para contornar os tropeços do dia-a-dia, da vida.

Sou mais feliz por ser uma Barbie Girl (tentar, pelo menos).

produtinhos



Há flores por todos os lados Há flores em tudo que eu vejo
July 16, 2009, 2:25 pm
Filed under: BlaBlaBlá, Brainstorm, Jardinando, Last Minute
 Olhei até ficar cansado
 De ver os meus olhos no espelho
 Chorei por ter despedaçado
 As flores que estão no canteiro
 Os punhos e os pulsos cortados
 E o resto do meu corpo inteiro
 Há flores cobrindo o telhado
 E embaixo do meu travesseiro
 Há flores por todos os lados
 Há flores em tudo que eu vejo

 A dor vai curar essas lástimas
 O soro tem gosto de lágrimas
 As flores têm cheiro de morte
 A dor vai fechar esses cortes
 Flores
 Flores
 As flores de plástico não morrem

 Olhei até ficar cansado
 De ver os meus olhos no espelho
 Chorei por ter despedaçado
 As flores que estão no canteiro
 Os punhos e os pulsos cortados
 E o resto do meu corpo inteiro
 Há flores cobrindo o telhado
 E embaixo do meu travesseiro
 Há flores por todos os lados
 Há flores em tudo que eu vejo

 A dor vai curar essas lástimas
 O soro tem gosto de lágrimas
 As flores têm cheiro de morte
 A dor vai fechar esses cortes
 Flores
 Flores
 As flores de plástico não morrem
 Flores
 Flores
 As flores de plástico não morrem


Flores
Titãs
Composição: Tony Bellotto / Sérgio Britto
Charles Gavin / Paulo Miklos

Flores do meu jardim,
flores que me acordam,
flores que me levam sonhar,
sempre quero flores,
sempre são flores.

orquidea amarela uma abertaorquidea amarela duas abertasflor do matocor de rosalírio da pazflor mexicanaanturioorquide branca fechadaorquidea branca abertabroméliasflor de couve manteigaFlorzinha vermelhamaria sem vergonha laranjamaria sem vergonha envergonhadapimenteirabotão semi abertobotão abertorosa rajada


Livros de Cabeceira
June 14, 2009, 9:29 pm
Filed under: BlaBlaBlá, Brainstorm

Avelã deitada e os Livros

Amor ler.

Tenho sentido muita falta dessa prática.

Gosto de ler assim um monte de uma vez. Essa coisa de livro de cabeceira, que supostamente se deve ler algumas páginas antes de dormir, não funciona comigo. Por diversas razões, eu gosto de ler um monte de uma vez (o que não dá pra fazer antes de dormir). Meu cérebro à noite simplesmente não existe e todas as páginas viradas nessa hora tem de ser relidas da próxima vez.

Andei reclamando que tenho saudades de ler.

Ler um bom livro é pra mim uma maneira de deixar a superfície da realidade e mergulhar num mundo a parte, onde as cores, formas e sabores são formadas na nossa mente através da soma das palavras absorvidas na leitura. Simplesmente magnífico.

Andei reclamando de falta de tempo para isso.

Foi aí que me lembrei de uma cena muito marcante. Fiquei com vergonha de reclamar de falta de tempo para ler.

A cena aconteceu em uma tarde qualquer, nem me lembro onde. Estava a Fer (prima) sentada em uma cadeira na escrivaninha fazendo o que ela mais odeia, secando o cabelo. Quando cheguei mais perto que pude perceber, ela estava lendo e secando o cabelo. Quem no mundo aproveita o tempo perdido ao secar o cabelo pra colocar a leitura em dia? A Fer.

Para o espanto geral isso é frequente nela, aliás, ela lê secando o cabelo, almoçando, deitada na cama, e fazendo carinho no cachorro.

Inspirada nessa prima com essa super habilidade e força de vontade (ela não se esforça, é genuíno o interesse pela leitura e tão forte a ponto de conseguir ignorar o zunido insuportável de um secador!), que pretedo voltar a ler.

Tenho uma lista de vontades.

Quem sabe essa eu não alcanço!

Avelã e os Livros



Cookies: a minha ansiedade me maltrata
May 17, 2009, 8:50 pm
Filed under: A Piece of Cake, Brainstorm, Nina and The Chocolate Factory

cookies de chocolate com gotas de chocolate

Ric me pediu cookies. Aliás, ele vem me implorando cookies.

Hoje fomos ao super e a condição dele para que bolachas industriais ficassem fora do carrinho foram cookies.

Ele foi ao jogo com o time dos meninos da família. Hora dos cookies e tudo o mais que eu conseguisse inventar nesse espaço de tempo.

A nossa (sábia) decisão de experimentar viver sem tv a cabo (a aberta simplesmente não existe pra nós) me eliminou uma tentação que só causava frustrações. Eu sempre tinha a expectativa de aproveitar super meu tempo livre e acabava por perder duas horas na esperança do filme ser bom e deixava de costurar/bordar/pintar/escrever e/ou cozinhar.

Subi em busca de uma receita de cookies e fui direto a minha nova fonte de receitas boas e testadas online. Bingo, lá estava a receita perfeita. Fácil, adaptável para o paladar anti-frutassecas do Ric e com a mesma aparência apetitosa dos cookies perfeitos da Pain et Chocolat.

Alterações aqui e acolá, etapas lindas e esperançosas. Forno e tudo deu errado.

cookies: chocolate derretidocookies: misturinha etapa 1cookies: mistrurinha etapa 2

Não fiz as bolinhas do tamanho que pretendia por pura neura de fazer logo. Elas ficaram maiores, mas deixei o tempo de forno das menores. Resultado:

- Os cookies ficaram desmantelados e molengos.

- Sobrou massa pra mais uma fornada, mas como eu fiquei atarantada com os cookies moles, não preparei outra forma e a massa endureceu como a Ana já tinha avisado na receita.

Fiz a segunda fornada, errei de novo. A massa já estava mais dura, mas eu fiz as bolinhas menores com calma (afinal já tava tudo danado mesmo…), deixei mais no forno por insegurança e finalmente, quando prontos eles estava durinhos, mas a borda com sabor levemente queimado e aquele aroma de caramelo passado do ponto.

Enfim. O Ric chegou, amou os cookies molengos de sabor e maciez, mas seriam ainda melhores se pudesse comer como cookies e não como bolo, de garfo (ele até tentou pegar um escondido de mim, mas o cookie quebrou ao meio e caiu no chão para alegria dos animais!)

cookie: ingredientes e receitas

No meio  desse processo todo, resolvi aproveitar o tempo de fornada para passar a limpo a receita de pão que mostrei aqui. Eu reclamei que o resultado final tinha ficado bom, mas exatamente o oposto do descrito na receita original. Eu descobri o motivo: apenas me esqueci de um dos passos da produção. Eu já fiz pão, eu sei que precisa de duas fermentações, mas é óbvio que eu, com minha pressa toda, só deixei fermentar uma vez (eu fiz essa receita errada três vezes!)

Conclusões disso tudo me dão vontade insana de chorar. Eu sei que estou errando, eu já tinha achado estranho não ter uma segunda fermentação, mas não, eu não parei pra ler novamente com clareza a receita. Eu vejo as coisas acontecerem, mas parece que estou vendo de fora, como num sonho ou um filme de espírito, eu não consigo me chacoalhar e apontar o fato.

Já tive essa sensação milhões de vezes. É de deixar qualquer um alucinado. Mas são poucos que já sentiram, logo são poucos que compreendem o que eu estou falando. Assim eu me ignoro e me saboto.

Quando tento dividir essas aflições, provenientes do rio desenfreado que corre por dentro de mim, conclusões precipitadas e superficiais são atiradas contra meu ser.

- Você é muito nervosa, você tem que ser mais calma, você é desatenta, você só está cansada, acontece, vai passar, comigo também, toma maracujina.

- Não, eu não sou nervosa, sou elétrica. Sim, eu sou calma, eu leio com calma, eu só passo por cima, como se não estivesse ali. Eu sou atenta até demais, atenta à vida, às pessoas, à energia, às necessidades que vão além da compreensão. Sim, eu estou cansada, afinal viver com um rio que está sem curso é como viver com asas em uma gaiola. Acontece, mas não é o caso. Ainda não passou e eu não acredito que vá. Com você é com você, sobre quem estamos falando? Deixe de ser egoísta. Remédios ainda não funcionaram.

Essas são as respostas que eu gostaria de poder dar a uma conversa desse gênero, mas a pessoa normalmente não absorve nada e, o que é mais incrível, consegue criar mais dezenas de argumentos fracos até eu desistir e mudar para assuntos como o tempo amanhã.

Avelã + Marrakesh na soneca da tarde

Eu só quero ter a paz de descansar depois de brincar. Quero seguir a ignorante sabedoria dos meus bichinhos. Quero ser feliz sem ter que aprisionar a verdade e a intensidade do meu ser. Quero ser sincera, agitada e entendida.

Vou tentar denovo essa receita. Não pretendo desistir assim tão facilmente das coisas simples.